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9 de julho: A revolução que mobilizou Batatais e mudou a história do Brasil

  • Batatais News
  • há 2 horas
  • 5 min de leitura

Nesta quinta-feira, apenas o estado de São Paulo celebra o feriado de 09 de julho. Trata-se do aniversário de 94 anos da Revolução Constituinte, Guerra Paulista ou Movimento Constitucionalista.

Grande parte dos paulistas estarão aproveitando o feriado desta quinta-feira sem saber que se trata de uma importante data cívica paulista. Pouquíssimas pessoas sabem que se travou uma guerra civil sangrenta entre o Estado de São Paulo e o então governo Federal em 1932.

Os dados históricos oficiais apontam para 934 mortos, mas estimativas de historiadores indicam um número muito maior, variando de 1.500 a 2.200 vítimas entre soldados e civis. Esses números são superiores ao total de soldados brasileiros mortos durante toda a Segunda Guerra Mundial.

Nessa matéria, o Batatais News quer mostrar que Batatais tem motivos especiais para celebrar o acontecimento, pois nossa cidade teve marcante participação reunindo soldados, médicos, mulheres e famílias em defesa da Constituição.


 IMAGEM CRIADA POR IA


A madrugada de 9 de julho de 1932 marcou o início de um dos episódios mais importantes da história do Brasil. Naquela data, São Paulo rompeu com o Governo Provisório de Getúlio Vargas e deu início à Revolução Constitucionalista um movimento que mobilizou milhares de civis e militares em defesa da convocação de uma Assembleia Constituinte e do restabelecimento da ordem constitucional.


Mais de nove décadas depois, a Revolução de 1932 permanece como o maior conflito armado ocorrido em território paulista no século XX. Embora tenha sido encerrada com derrota militar das forças constitucionalistas, o movimento teve forte impacto político, contribuindo para a convocação da Assembleia Nacional Constituinte de 1933 e para a Constituição de 1934.



Em Batatais, a participação foi intensa. A cidade não apenas acompanhou os fatos, mas se integrou ao esforço paulista, mobilizando voluntários, instituições civis e religiosas, profissionais liberais, mulheres, jovens e famílias inteiras.


Um país em transição e o caminho para a revolução


A origem do movimento remonta à Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder e encerrou a chamada República Velha. O novo governo dissolveu o Congresso Nacional, suspendeu a Constituição de 1891 e instituiu interventores nos estados.


A promessa de um governo provisório com breve transição constitucional não se concretizou. A ausência de uma nova Carta gerou crescente insatisfação, especialmente em São Paulo, onde diversos setores passaram a exigir a convocação de uma Assembleia Constituinte.


O cenário se agravou após 23 de maio de 1932, quando os estudantes Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo foram mortos em confronto na capital paulista. O episódio deu origem ao movimento M.M.D.C., que se tornou símbolo da resistência constitucionalista.

Menos de dois meses depois, em 9 de julho, a Revolução teve início.


Batatais entra na mobilização paulista


Com a chegada das notícias ao interior, Batatais aderiu rapidamente ao movimento.

Praças, comércio, clubes sociais e a estação da Companhia Mogiana tornaram-se espaços de debate político e mobilização. O sentimento predominante era de que a luta paulista representava a defesa da legalidade constitucional no país.



Foi organizado o Batalhão Batataense, com voluntários inicialmente instruídos pelo tenente Antônio Juliano e posteriormente comandados pelo capitão Oswaldo Pereira de Carvalho.



Entre os batataenses que integraram o movimento estão, entre outros: Adalberto Arantes, Adriano Tambellini, Affonso Celso Garcia Sobrinho, Alcebíades de Andrade Junqueira, Américo Andrade, Andrico Prometti, Antônio Cinali, Arthur Porto, Ataliba Martins Moura, Carlos Gaeta, Dante Faggioni, Demóphilo Perez, Duílio Oliveira e Edgard Mello Silva.


Parte dos voluntários seguiu para as frentes de combate, enquanto outros permaneceram na cidade em funções de vigilância, apoio logístico e proteção de prédios públicos.


A atuação do Monsenhor Joaquim Alves Ferreira


Em meio à mobilização social, a Igreja Católica teve papel central na vida comunitária.

Em Batatais, o Monsenhor Joaquim Alves Ferreira, à frente da Igreja Matriz do Bom Jesus da Cana Verde, destacou-se como liderança espiritual e referência moral durante o período.


Sua atuação contribuiu para fortalecer o espírito de união da população e estimular ações de solidariedade às famílias dos combatentes, reforçando o papel da Igreja como elemento de coesão social em um momento de forte instabilidade.


Uma cidade reorganizada pela guerra


O cotidiano dos batataenses foi profundamente alterado.


Notícias chegavam por jornais, rádio e correspondências enviadas dos campos de batalha, sendo acompanhadas com expectativa pelas famílias.


Na Sociedade Recreativa 14 de Março foi instalada a Casa do Soldado, responsável pelo recebimento e distribuição de alimentos, roupas, medicamentos e doações. As campanhas foram coordenadas por lideranças como Jácomo Campi e Atílio Lazzarini, que mobilizaram comerciantes e agricultores em uma ampla rede de solidariedade.


As mulheres tiveram papel decisivo na confecção de uniformes, preparo de alimentos, produção de bandagens e apoio às famílias dos combatentes. A juventude também participou ativamente, especialmente por meio de grupos de escoteiros, que auxiliaram na logística e transporte de materiais.


O herói de Batatais


Entre os nomes ligados ao conflito, destaca-se o médico Dr. Amador de Barros Júnior.

Voluntário do Corpo de Saúde Constitucionalista, atuou no atendimento aos feridos em combate. Em 1º de agosto de 1932, durante confrontos na região de Itararé, foi atingido por estilhaços de granada enquanto prestava socorro a um soldado.


Sua morte em serviço o tornou símbolo de dedicação e sacrifício na participação batataense na Revolução. A Rua Dr. Amador de Barros é um dos poucos memoriais que temos em Batatais sobre esse conflito.


A participação dos filhos de Batatais


Estima-se que cerca de 150 moradores do município tenham participado do movimento constitucionalista.


Agricultores, comerciantes, estudantes, funcionários públicos e profissionais liberais integraram o esforço, atuando tanto nas frentes de combate quanto em funções de apoio, transporte, vigilância e assistência médica.


O fim do conflito e os desdobramentos políticos


Após 87 dias de combates, São Paulo foi derrotado militarmente e a Revolução chegou ao fim em outubro de 1932.


Apesar disso, o movimento teve impacto decisivo na política nacional. Em 1933 foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte e, em 1934, o Brasil promulgou uma nova Constituição.


Um legado sem monumentos em Batatais


Apesar da relevância histórica da participação do município, não há monumentos, bustos ou memoriais públicos em Batatais dedicados à Revolução Constitucionalista de 1932.


A preservação dessa memória ocorre principalmente por meio de registros históricos, pesquisas, documentação jornalística e relatos de memória local.


Legado histórico


Mais de nove décadas depois, a participação de Batatais na Revolução Constitucionalista permanece como um capítulo relevante da história do município.

A lembrança daquele período não se traduz em monumentos, mas em memória histórica: a de uma cidade que se mobilizou coletivamente em torno de um ideal constitucional.


Os nomes dos voluntários, dos médicos, das mulheres, dos escoteiros e de lideranças como o Monsenhor Joaquim Alves Ferreira permanecem como parte desse legado de civismo, participação e identidade histórica.


Fontes consultadas

Obras e estudos históricos

  • FAUSTO, Boris. História do Brasil – Edusp

  • MOTA, Carlos Guilherme. 1932: A Revolução Constitucionalista 

  • FERREIRA, Jorge (org.). O Brasil Republicano: O tempo do nacional-estatismo 

  • PANDOLFI, Dulce. Estudos sobre o período Vargas e a Revolução de 1932

Instituições e acervos

  • Museu da Revolução Constitucionalista de 1932 (São Paulo)

  • Arquivo Público do Estado de São Paulo (APESP)

  • Acervo histórico da Força Pública de São Paulo

  • Documentação do movimento M.M.D.C.

·         Museu Dr. Washington Luís - Luciana Squarisi

Fontes locais e memória histórica

  • Registros históricos e memórias locais de Batatais

  • Arquivos da Igreja Matriz do Bom Jesus da Cana Verde

  • Relatos e pesquisas de memorialistas regionais

  • Imprensa do interior paulista (década de 1930)

  • Jornal da Cidade de Batatais⁠ - série "Revolução de 1932 em Batatais", de autoria de Paulo César Fernandes, publicada em julho e agosto de 2019.


IMAGENS DO ACERVO DE LUIZ CLARET FERREIRA

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JORNALISTAS

LUIS CLARET FERREIRA

CARLOS ALBERTO MORAES



 

 

 

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