Brasil, 1964 e 2016/26: Semelhanças de duas rupturas e o risco de um novo golpe
- Editor BN

- 31 de mar.
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31 de março de 1964. A data permanece como uma das mais marcantes - e dolorosas - da história política brasileira. Naquele dia, o presidente constitucional João Goulart foi derrubado por um golpe civil-militar que inauguraria 21 anos de ditadura. Mais de seis décadas depois, ao recordar os acontecimentos de 1964 e o processo político que culminou em 2016, analistas apontam semelhanças inquietantes - e alertam que o país pode estar novamente diante de uma ruptura democrática.

LINDON JOHNSON - JOÃO GOULART DONALD TRUMP - LULA DA SILVA
1964: Um golpe articulado dentro e fora do Brasil
O golpe de 1964, que levou a nação a uma ditadura de 21 anos, ocorreu em meio à Guerra Fria, período em que os Estados Unidos buscavam impedir o avanço de governos considerados à esquerda, que beneficia os mais pobres, especialmente na América Latina, seu quintal, como dizem.
O governo de João Goulart passou a ser visto como ameaça por defender reformas estruturais, como a reforma agrária e a limitação da remessa de lucros de multinacionais ao exterior. Essas propostas contrariaram interesses econômicos poderosos que querem, sempre, escravizar os trabalhadores.
Organizações como o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática desempenharam papel fundamental na articulação política e ideológica contra o governo. Além disso, os Estados Unidos prepararam a Operação Brother Sam, que previa apoio militar caso houvesse resistência.
A ofensiva contou também com apoio de setores empresariais dos mais abastados, parte significativa da imprensa e mobilizações populares manipuladas por mentiras como a Marcha da Família com Deus pela Liberdade.
No dia 31 de março, tropas lideradas pelo general Olímpio Mourão Filho avançaram e, poucos dias depois, o Congresso declarou vaga a presidência. Em 15 de abril, o general Humberto Castelo Branco assumiu o poder.
O resultado foi a instalação de uma ditadura marcada por censura, repressão e suspensão de direitos.
2016: Um novo modelo de ruptura
Mais de meio século depois, o Brasil voltou a viver um momento de ruptura institucional com o impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Oficialmente baseado nas chamadas "pedaladas fiscais", o processo foi considerado por diversos juristas e analistas como um golpe parlamentar. Assim como em 1964, houve forte atuação de setores empresariais, parte da imprensa e mobilização de parcelas da classe média.
A narrativa também foi semelhante:
Crise econômica
Combate à corrupção
Necessidade de “salvar o país do comunismo”
Após o afastamento de Dilma, assumiu o vice-presidente Michel Temer, cujo governo promoveu mudanças estruturais profundas na economia e nas relações trabalhistas, destruindo as conquistas de longos anos da classe mais pobre entre os trabalhadores.
Do impeachment ao bolsonarismo

O processo político iniciado em 2016 culminou na eleição de Jair Bolsonaro em 2018, com mais uma etapa do golpe, prendendo Lula indevidamente e impedindo a sua participação nas eleições que ele liderava em todas as pesquisas. O governo Bolsonaro foi marcado por tensões institucionais, questionamentos ao sistema eleitoral e discursos favoráveis à intervenção militar.
Visto pelo mundo todo, o golpe foi impedido, os golpistas presos e condenados, mas o espírito golpista alimentado pelo engano e a mentira não tem como ser barrado. O período no qual vivemos representa o maior risco democrático desde o fim da ditadura iniciada em 1964.
Lula e os ecos de 1964
Com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, setores democráticos viram uma possibilidade de reconstrução institucional. No entanto, o ambiente político permanece altamente polarizado. O ódio continua sendo semeado e a mentira da oposição não tem freio.
Assim como ocorreu com João Goulart, Lula enfrenta:
Forte oposição política
Pressão econômica
Campanhas intensas de desinformação
Mobilização de setores conservadores
E, pasmem: ainda usam o perigo vermelho do comunismo!
A diferença, apontam especialistas, é que hoje o cenário é ainda mais complexo devido à era da pós-verdade e à disseminação de desinformações nas redes sociais que não tem como barrar.
1964 e 2016: Semelhanças impressionantes
As semelhanças entre 1964 e 2026 são apontadas por analistas:
1964
Apoio empresarial
Campanhas ideológicas da direita fascista
Medo do comunismo
Apoio internacional dos EUA
Mobilização da classe média que pensa ser rica
2026
Apoio empresarial desde o início do golpe em 2016
Narrativa anticorrupção
Pressão internacional indireta da extrema direita
Mobilização da classe média, mais uma vez engodada
Atuação intensa da mídia na facilitação da construção de fake news
O risco de um novo golpe
Ao relembrar os 62 anos do golpe de 1964, cresce entre analistas e observadores políticos a preocupação com a repetição de padrões históricos. O Brasil, segundo essa leitura, estaria novamente diante de uma tentativa de desestabilização institucional, com o objetivo de recolocar o país sob influência do que alguns definem como um “cambaleante e trôpego império estadunidense”.
Na era da pós-verdade, a desinformação tornou-se uma poderosa ferramenta política. Narrativas simplificadas, polarização e discursos radicais ampliam o risco de manipulação da opinião pública.
A democracia em alerta
A história mostra que golpes não acontecem de forma repentina. Eles são construídos lentamente, com narrativas, crises e articulações políticas. O golpe que pode se consumar em 2026 começou em 2016.
1964 deixou cicatrizes profundas.
2016 reabriu velhas feridas.
2026 pode ser decisivo para a ditadura.
A democracia brasileira, mais uma vez, encontra-se sob tensão.
A lição da história é clara:- A democracia não é permanente.
Ela precisa ser defendida todos os dias.
E o Brasil, novamente, está diante de uma encruzilhada histórica.





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