Dia do Agricultor
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- 21 de jul. de 2025
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Dia do Agricultor, 21 de julho. Trabalhadores do campo merecem destaque em tempos de desafios globais e pressões políticas.
POR REDAÇÃO | BATATAIS NEWS | 21/07/2025
Neste 21 de julho, o Brasil celebra uma das profissões mais antigas e essenciais da humanidade: o Dia do Agricultor. A data não é apenas uma efeméride no calendário nacional, mas uma oportunidade de homenagear os homens e mulheres do campo, verdadeiros guardiões da terra e responsáveis diretos por alimentar milhões de brasileiros e cidadãos ao redor do mundo.
Guardiões da terra, base da economia

A agricultura brasileira vai muito além da produção de grãos, frutas, hortaliças e carnes. Ela é pilar fundamental da economia nacional, responsável por quase 25% do PIB, geradora de empregos em massa e elemento crucial na balança comercial. O agronegócio é o motor que impulsiona o Brasil em tempos de crescimento ou de crise — e isso se tornou ainda mais evidente nas últimas décadas.
Mas, por trás de máquinas modernas e grandes exportações, estão os agricultores familiares, os pequenos e médios produtores, que enfrentam diariamente o sol escaldante, a chuva inesperada, a instabilidade dos preços e, cada vez mais, a pressão geopolítica global.
Segurança alimentar: o bem mais precioso do século XXI
Em pleno 2025, quando o mundo deveria caminhar para parcerias sustentáveis e justiça econômica, vemos a segurança alimentar se tornar refém da ganância de potências políticas. O governo dos Estados Unidos, sob a gestão do presidente norte-americano atual, tem adotado uma política comercial agressiva e protecionista, impondo tarifas desproporcionais sobre produtos do Brasil e de outras nações produtoras.
Essas tarifas não apenas afetam os agricultores brasileiros, que veem seus produtos perdendo competitividade no mercado internacional, mas também inflacionam o preço dos alimentos nos próprios Estados Unidos, penalizando as famílias norte-americanas mais pobres — tudo para tentar tapar buracos fiscais de um modelo econômico desgastado e desequilibrado.
O Brasil como celeiro do mundo

Apesar dessas adversidades, o Brasil segue firme como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do planeta. Da soja à carne bovina, do milho ao café, o país alimenta continentes inteiros. E o mérito dessa potência agrícola vai para os agricultores que, com suor, persistência e amor à terra, fazem brotar vida em cada hectare cultivado.
Mais do que máquinas e tecnologia, é o conhecimento ancestral, passado de geração em geração, que transforma o solo em fartura. É o agricultor que acorda antes do sol nascer e dorme depois dele se pôr, que encara a incerteza climática com fé, que olha para a terra não como exploração, mas como missão.
A necessária valorização do campo
Hoje, mais do que nunca, é urgente que governos, empresas e a sociedade valorizem e protejam quem sustenta a mesa do brasileiro. Políticas públicas eficientes, incentivos à produção sustentável, acesso ao crédito e respeito internacional são o mínimo que esses profissionais merecem.
O Dia do Agricultor deve ser lembrado não apenas com palavras, mas com atitudes concretas que reconheçam a importância desse ofício. Afinal, sem agricultores, não há comida, não há economia, não há futuro.
Neste 21 de julho, que ecoe por todo o Brasil: Obrigado, agricultor! Seu trabalho é sagrado.
Panorama nacional do agronegócio (até 2025)
Em 2024, o PIB do agronegócio brasileiro alcançou R$ 2,72 trilhões, representando 23,2% do PIB nacional. Do total, R$ 1,9 trilhão correspondem à agricultura e R$ 819 bilhões à pecuária Wikipédia+11CNA+11CNA+11.
O setor reverteu queda acumulada nos primeiros três trimestres com um forte desempenho no quarto trimestre, quando cresceu 4,48%, e encerrou o ano com alta anual de 1,81% Cepea+6CNA+6CNA+6.
Projeções para 2025 - crescimento acelerado:
No 1º trimestre de 2025, o PIB do agronegócio registrou expansão de 6,49%, com destaque para a pecuária (+8,5%) e a agricultura (+5,59%) Canal Agro++2CNA+2Cepea+2.
Todos os segmentos em alta: produção primária (+10%), insumos (+4,45%), agroindústria (+3,18%) e agrosserviços (+6,27%) Cepea+7CNA+7Canal Agro++7.
A projeção aponta para um PIB agrícola total de R$ 3,79 trilhões em 2025, representando 29,4% do PIB nacional CNA+4CNA+4Canal Agro++4.
Importância crescente: o setor, que representava cerca de 23,5% do PIB em 2024, está previsto atingir quase 29,4% em 2025 CNACanal Agro+.
DESTAQUE REGIONAL:
RIBEIRÃO PRETO E SUA INFLUÊNCIA NO AGRONEGÓCIO

A região metropolitana de Ribeirão Preto, com 1,7 milhão de habitantes, responde por aproximadamente R$ 82,4 bilhões de PIB (ano-base 2021), ou cerca de 0,9% do PIB nacional Reddit+2Wikipédia+2Wikipédia+2.
O município é um dos maiores do estado em produção agrícola, com destaque para cana‑de‑açúcar, seguida por milho e tomate, sendo a cana predominante em área e produção Wikipédia.
Agrishow - o epicentro agrícola da cidade:
A Agrishow, realizada em Ribeirão Preto, é a maior feira de tecnologia agropecuária da América Latina. A edição de 2025 bateu recorde: R$ 14,6 bilhões em movimentação e 197 mil visitantes Wikipédia+1Wikipédia+1.
O impacto se estende à infraestrutura local: o aeroporto regional ampliou voos e capacidade, conectando a feira a capitais como Brasília, Goiânia e Porto Alegre WikipédiaWikipédia.
Apesar de não haver estimativas específicas econométricas atualizadas apenas para Ribeirão Preto, o protagonismo da cidade na produção de cana e na realização de eventos como a Agrishow coloca-a como um pilar estratégico do agronegócio paulista e nacional.
Relevância social e econômica da região
Ribeirão Preto é frequentemente chamada de "capital brasileira do agronegócio", status fortalecido pela presença de grandes produtores, centros de pesquisa e eventos que fomentam inovação e tecnologias rurais WikipédiaWikipédia.
RESUMO FINAL
Indicador | Valor |
PIB do agronegócio brasileiro (2024) | R$ 2,72 trilhões (23,2% do PIB) |
Crescimento no 1º trimestre de 2025 | +6,49% |
Projeção para 2025 | R$ 3,79 trilhões (~29,4% do PIB) |
Ribeirão Preto | Região agrícola de ponta, destaque em cana‑de‑açúcar e sede da Agrishow |
EMPREGO NO AGRO - UM SETOR QUE GERA MILHÕES DE EMPREGOS
No 1º trimestre de 2025, o agronegócio brasileiro atingiu 28,5 milhões de trabalhadores, um novo recorde histórico da série do Cepea/CNA iniciada em 2012 CompreRura+7Canal Rural+7Reddit+7.
Esse contingente representa 26,23% do total das ocupações no país, crescimento de 0,6% frente ao mesmo período de 2024 (~171 mil novas vagas) CepeaCanal Rural.
O avanço reflete o maior número de trabalhadores nos segmentos de insumos (+10,2%), agroindústria (+4,8%) e agrosserviços (+2,4%) CepeaCanal Rural.
Cresceu também a formalização, qualificação e a presença feminina: cerca de 10,8 milhões de mulheres ocupadas no setor (~37,9%) Cepea+6CompreRura+6CNA+6.
Salários médios também aumentaram: renda dos empregados subiu 2,2% ao ano, empregadores 2,9% e autônomos 9,1% CompreRura+1Cepea+1.
No geral, o emprego no agro consolidou-se como superior ao mercado formal urbano, sendo um dos principais sustentáculos da economia nacional.
PRODUÇÃO AGRÍCOLA NA REGIÃO DE RIBEIRÃO PRETO E ESTADO DE SÃO PAULO
Cana-de-açúcar
Ribeirão Preto é reconhecida por ter a cana-de-açúcar como cultura predominante, ocupando a maior quantidade de área plantada e volume colhido no município Wikipédia.
O estado de São Paulo, onde Ribeirão Preto está localizado, lidera a produção nacional com mais de 50% da apropriação nacional, atingindo cerca de 341,8 milhões de toneladas em 2020 Reddit+2Wikipédia+2Reddit+2.
Soja
Embora São Paulo não figure entre os maiores produtores de soja no país, ele ainda colheram cerca de 3 milhões de toneladas na safra 2018/2019, enquanto Minas Gerais colheu 5 milhões Wikipédia.
Em Ribeirão Preto, há presença de lavouras de milho e soja, embora ainda em escala secundária comparada à cana e tomate Wikipédia.
Laranja e exportação de suco
O Brasil detém cerca de 22% da produção mundial de laranjas, sendo maior produtor global com atenção especial ao suco de laranja, do qual responde por até 80‑98% do volume exportado Wikipédia+1Wikipédia+1.
O estado de São Paulo é responsável por 77‑79% da produção nacional de laranja, com mais de 13,7 milhões de toneladas produzidas em 2020 e exportação de suco avaliada em cerca de US$ 1,65 bilhão na safra 2019/20 Wikipédia+1Wikipédia+1.
Como polo agrícola, Ribeirão Preto contribui fortemente para essa cadeia de suco de laranja, ao lado de outras regiões próximas no interior paulista.
Subsídios e baixa arrecadação de impostos: um modelo controverso
Apesar da grandiosidade do agronegócio, o setor recolhe baixa tributação efetiva, mesmo recebendo subsídios robustos do governo federal:
O governo federal oferece financiamentos com juros diferenciados entre 2,5 % e 6 % ao ano, isenção de tarifas de exportação, renegociação de dívidas agrícolas extensa e baixa arrecadação do imposto rural (muitas vezes arrecada-se menos imposto no setor do agro do que em áreas urbanas como São Paulo), conforme críticos do setor Reddit.
Um comentário sintético resume bem o paradoxo:
“O agronegócio tem uma série de vantagens e subsídios que tornam … mais rentável e seguro … imposto rural baixo (foi arrecadado menos imposto rural no país todo do que na subprefeitura de Pinheiros em SP)” Reddit.
Essa combinação - setor altamente lucrativo e beneficiado por suporte financeiro estatal, e com baixíssima carga tributária - levanta críticas sobre justiça fiscal e distribuição de recursos, especialmente em face das lacunas estruturais no investimento público e mandatos de inclusão social.
SÍNTESE FINAL
Tema | Destaque |
Emprego no agro (1T2025) | 28,5 milhões de trabalhadores — 26,23% dos empregos no Brasil |
Ribeirão Preto (SP) | Cultura dominante: cana-de-açúcar; presença de soja e tomate |
São Paulo (laranja) | Liderança nacional com ~13,7 milhões de toneladas e grande volume de exportação de suco |
Tributação e subsídios | Juros favorecidos, renegociação ampla, baixa arrecadação rural — críticas crescentes |
AGRICULTURA FAMILIAR: PROTAGONISTA SILENCIOSA DA SEGURANÇA ALIMENTAR

Apesar da visibilidade do agronegócio exportador, é a agricultura familiar quem verdadeiramente alimenta o povo brasileiro.
Segundo dados da CONAB e do Censo Agropecuário do IBGE, cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros vêm da agricultura familiar. Movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) têm sido fundamentais nesse processo, com milhares de famílias produzindo alimentos sem agrotóxicos, em bases agroecológicas e sustentáveis.
Entre os produtos de destaque da agricultura familiar estão:
Feijão, arroz, mandioca, leite, frutas, hortaliças e ovos.
Cerca de 87% da produção de mandioca e 70% da produção de feijão no país vêm desse segmento.
As cooperativas ligadas ao MST comercializam toneladas de arroz orgânico, feiras agroecológicas e programas de compras públicas, como o PAA e o PNAE.
Esses agricultores atuam preservando o meio ambiente, promovendo a soberania alimentar e fortalecendo as economias locais. Tudo isso em contraste com o modelo predatório de monocultura e exportação que pressiona biomas como o Cerrado e a Amazônia.
O agro exporta, mas quem alimenta o Brasil são os pequenos
O chamado “agronegócio” brasileiro, centrado em commodities como soja, milho e carne, prioriza a exportação para China, Europa e Estados Unidos, gerando divisas, mas contribuindo pouco para a dieta nacional. Enquanto isso, a agricultura familiar, com pouco apoio e menor acesso a crédito, sustenta os mercados locais, feiras, cooperativas e programas sociais.
A CONTRADIÇÃO FICA EVIDENTE:
Comparativo | Agronegócio | Agricultura Familiar |
Foco | Exportação | Consumo interno |
Produtos | Soja, milho, carne, algodão | Arroz, feijão, frutas, leite, verduras |
Modelo | Intensivo, monocultura, mecanizado | Diversificado, agroecológico, mão de obra familiar |
Participação na mesa do brasileiro | ~30% | ~70% |
Impacto ambiental | Alto (desmatamento, agrotóxicos) | Baixo (preservação, agroecologia) |
Neste 21 de julho, é essencial valorizar todos os trabalhadores do campo, mas reconhecer que há dois modelos agrícolas em disputa no Brasil:
Um modelo voltado à exportação, com grande concentração de terra, forte impacto ambiental e foco no lucro externo.
Outro modelo, baseado na agricultura familiar, que alimenta o povo brasileiro, gera empregos no campo, protege o meio ambiente e promove dignidade.
Celebrar o Dia do Agricultor é também escolher qual agricultura queremos para o futuro.






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