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Missão da Igreja: Proclamar o Evangelho e não guerrear contra pessoas

  • Batatais News
  • há 11 minutos
  • 6 min de leitura

A missão da Igreja de Cristo nunca foi conquistar o mundo pela força, dominar estruturas humanas ou travar guerras contra pessoas. A Grande Comissão entregue por Cristo é, essencialmente, a proclamação do Evangelho. A batalha da Igreja é espiritual, e se manifesta no plano intelectual e moral, jamais na força bruta ou carnal. Trata-se de anunciar ao mundo que Cristo venceu o pecado e a morte, oferecendo reconciliação com Deus a todos quantos creem.


 

Desde o Éden, a humanidade vive em rebelião contra a verdade objetiva de Deus. Porém, a resposta divina nunca foi destruir a humanidade rebelde, mas enviar o Salvador. A missão da Igreja, portanto, é anunciar esta verdade salvadora e confiar que o Espírito Santo fará a obra de convencimento.

 

A “Grande Comissão” é proclamação

 

O próprio Cristo definiu a missão da Igreja: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” Marcos 16.15-16. A ordem é clara: pregar o Evangelho. O poder está na mensagem, não na capacidade humana de convencer.

 

Da mesma forma: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” Mateus 28.19-20

 

A Igreja não foi enviada para impor a verdade pela espada, mas para ensinar e proclamar. Cristo deixou isso ainda mais evidente diante de Pilatos: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.” João 18.36.

 

A verdadeira batalha é espiritual

 

A Escritura declara explicitamente: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Efésios 6.12)

 

A Igreja não combate seres humanos como inimigos. O homem perdido é alvo da graça de Deus. A guerra é contra o pecado, a mentira, o engano espiritual e tudo aquilo que se levanta contra o conhecimento de Deus.

 

Por isso Paulo afirma: “Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo.” (2 Coríntios 10.3-5).

 

As armas da Igreja são espirituais: a Palavra de Deus, a oração, a proclamação do Evangelho, a santidade e a dependência do Espírito Santo.

 

Cristo, o segundo Adão, venceu a morte

 

O centro da mensagem cristã não é uma ideologia moral, nem um sistema filosófico, mas a obra redentora de Cristo.

 

A Bíblia apresenta Jesus como o “segundo Adão”: “Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.” (Romanos 5.18). “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1 Coríntios 15.22). “O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.” (1 Coríntios 15.45).

 

A morte entrou no mundo pelo pecado do primeiro Adão. Mas Cristo venceu o poder da morte mediante Sua morte e ressurreição: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo.” (Hebreus 2.14).

 

Esta é a mensagem confiada à Igreja: Cristo venceu. Há salvação para o pecador arrependido.

 

A fé vem pelo ouvir

 

O Evangelho possui poder próprio porque é a Palavra de Deus: “Porque não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.” (Romanos 1.16).

 

O convencimento não nasce da habilidade humana, mas da ação do Espírito Santo: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo.” (João 16.8).

 

Paulo explica: “Logo, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.” (Rm 10.17). E acrescenta: “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?” (Romanos 10.14-15).

 

A responsabilidade da Igreja é proclamar. O novo nascimento pertence a Deus.

 

“Batalhar pela Fé” não significa atacar pessoas

 

Judas escreve: “Amados, quando empregava toda a diligência em escrever-vos acerca da nossa comum salvação, foi que me senti obrigado a corresponder-me convosco, exortando-vos a batalhardes diligentemente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos.” (Judas 1.3).

A “” aqui não é mero sentimento subjetivo. Refere-se ao corpo de doutrinas do Evangelho entregue definitivamente por Deus aos apóstolos.

 

A revelação bíblica é completa. Não necessita de adaptações culturais para se tornar verdadeira. O papel da Igreja é guardar fielmente este depósito. Paulo orienta Timóteo: “Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado.” (1 Timóteo 6.20). E também: “Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo que habita em nós.” (2 Timóteo 1.13-14).

 

Batalhar pela fé” significa preservar a integridade do Evangelho contra heresias, apostasia e sincretismo. Porém, esta batalha nunca autoriza violência, ódio ou perseguição contra pessoas.

 

O problema de assumir uma missão que pertence a Deus

 

Muitos cristãos adoecem espiritualmente quando imaginam que precisam “salvar” a verdade por esforço próprio. O exemplo de Pedro é emblemático: “Então, Simão Pedro, puxando da espada que trazia, feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.” (João 18.10). Cristo imediatamente repreendeu essa atitude: “Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão.” (Mateus 26.52).

 

Pedro queria defender Cristo pela força. Porém, Cristo não precisava ser defendido por armas humanas. Cristo foi quem morreu pela verdade. O cristão não é chamado a morrer “por uma causa ideológica”, mas a viver proclamando o Evangelho. E, se eventualmente morrer por estar pregando Cristo, isso será consequência da fidelidade e não de um culto ao martírio.

 

A Pós-Verdade Não é Nova

 

Vivemos numa era marcada pelo relativismo, onde cada indivíduo constrói sua própria “verdade”. Contudo, essa rebelião contra a verdade absoluta não começou na modernidade.

 

Ela começou no Éden. A serpente lançou a dúvida sobre a Palavra de Deus: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” (Gênesis 3.1). Desde então, o homem tenta substituir a verdade divina por sua própria interpretação da realidade.

 

Paulo descreve isso claramente: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira.” (Romanos 1.25).

 

A diferença é que hoje o relativismo é celebrado publicamente. Porém, isso não anula a missão da Igreja. Pelo contrário: reforça ainda mais a necessidade da proclamação fiel do Evangelho.

 

A Palavra Nunca Volta Vazia

 

A eficácia da mensagem não depende do pregador. Deus declarou: “Assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz.” (Isaias 55.11).

 

Paulo afirma: “Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. Para estes, cheiro de morte para morte; para aqueles, aroma de vida para vida.” (2 Coríntios 2.15-16).

 

O Evangelho nunca é inútil. Quando não conduz ao arrependimento, serve de testemunho contra a incredulidade.

 

Conclusão

 

A missão da Igreja não é conquistar pessoas pela força, vencer debates pela agressividade ou destruir adversários ideológicos. A missão da Igreja é proclamar o Evangelho de Cristo.

 

Cristo, o segundo Adão, venceu o pecado e a morte. O homem é salvo quando, ouvindo a Palavra de Deus, é convencido pelo Espírito Santo, arrepende-se e crê.

 

Batalhar pela fé” significa guardar fielmente esta mensagem, proclamando-a com coragem, amor e fidelidade, sem jamais transformar pessoas em inimigos.

 

A verdade do Evangelho não precisa de violência para se sustentar. Ela possui poder próprio. Jesus disse, orando ao Pai pelos seus discípulos: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17.17).

 

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CARLOS ALBERTO MORAES

PASTOR BATISTA E JORNALISTA



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