Pesquisa histórica identifica a Igreja Metodista como a primeira igreja protestante documentada em Batatais
Levantamento realizado pelo Batatais News revela que a presença metodista no município remonta ao início do século XX e antecede todas as demais denominações protestantes com comprovação documental.

Uma pesquisa histórica realizada pelo Batatais News, com base em documentos públicos, estudos acadêmicos e registros municipais, identificou que a Igreja Metodista é, até o momento, a primeira denominação protestante institucionalmente documentada em Batatais. O levantamento aponta que a presença metodista começou ainda nos primeiros anos do século XX, em um período marcado pela expansão das missões evangélicas pelo interior paulista e pela intensa disputa religiosa e educacional com a Igreja Católica.
A pesquisa mostra que a primeira iniciativa conhecida ocorreu em 1903, quando o missionário irlandês James Hamilton, ligado à Igreja Metodista Episcopal do Sul dos Estados Unidos, tentou implantar em Batatais uma escola protestante, seguindo o modelo adotado em cidades como Franca e Ribeirão Preto, onde evangelização e educação caminhavam juntas.
Entretanto, a tentativa encontrou forte resistência da liderança católica local, especialmente do padre José Lafayette de Godoy, que mobilizou a comunidade para que as famílias não matriculassem seus filhos na nova escola. Sem alunos suficientes, o projeto acabou sendo interrompido.
A hierarquia eclesiástica da Igreja Católica tinha motivos explícitos para temer e combater as ações daqueles a quem considerava seus adversários ideológicos.
Nesse cenário de disputas políticas e sociais, destaca-se a figura do Capitão Renato Jardim, que exercia o cargo de vereador em Batatais durante a gestão do Padre Lafayette à frente da paróquia local, vindo a assumir a prefeitura do município no ano de 1910.
Paralelamente às dinâmicas do poder local, a Liga da Boa Imprensa emergiu como parte de um projeto amplo liderado pelas elites intelectuais católicas. Seu principal objetivo era combater o que a Igreja definia como "males sociais", enfrentando as leituras e ideias consideradas perniciosas difundidas por liberais, ateus e agnósticos, além de conter o avanço e a expansão de outras confissões religiosas, como o protestantismo.
Essa iniciativa fazia parte do processo de restauração e consolidação de um catolicismo renovado no Brasil ao longo das primeiras décadas do século XX. Diante das transformações culturais do período, fez-se necessário "repescar" os fiéis, utilizando como instrumento a difusão de bons livros e publicações de cunho estritamente católico
A igreja nasceu nos lares
Mesmo com o insucesso da primeira missão, o protestantismo continuou chegando ao município por meio de famílias de imigrantes europeus que se estabeleceram na região. Entre elas destacou-se Francisco Uliana, morador da Fazenda Rancho Novo, que abriu sua residência para a realização de cultos metodistas.

PROVAVELMENTE A NUMERAÇÃO DAS CONSTRUÇÕES TENHAM SIDO MUDADAS. ESTE FOI O POSSÍVEL LOCAL EM QUE, À ÉPOCA A IGREJA METODISTA TERIA REALIZADO SUAS REUNIÕES, ANTES DA CONSTRUÇÃO DO TEMPLO NA RUA FLORIANO PEIXOTO. MAS, É CLARO, NADA TEM A VER COM AS CONSTRUÇÕES ATUAIS.
Como ocorreu em diversas regiões do Brasil, as reuniões realizadas em casas serviram como embrião para a futura organização da igreja. Com o crescimento da congregação, o trabalho foi transferido para a área urbana, estabelecendo-se inicialmente na Rua Coronel Joaquim Rosa, nº 18, endereço que aparece nos documentos oficiais da época.
Documentos confirmam a organização da igreja
A pesquisa localizou importantes registros que ajudam a reconstruir essa trajetória.
Em 1909, a Igreja Metodista aparece solicitando isenção de impostos ao poder público, sinal de que já possuía organização institucional.
Poucos anos depois, em 1913, um documento da Câmara Municipal registra oficialmente a Igreja Metodista Episcopal Brasileira funcionando na Rua Coronel Joaquim Rosa, nº 18, relacionando inclusive representantes da congregação, entre eles:
Lázaro Garcia da Costa,
Juvenal Lima,
José Ordine,
Leonel Lopes e
Francisco de Araújo França.
Para os pesquisadores, esse documento constitui, até o momento, a mais sólida comprovação administrativa da existência de uma igreja protestante organizada em Batatais.

A documentação histórica atribui ao ano de 1924 o início da construção do templo metodista que foi erguido na Rua Floriano Peixoto, 102, embora a confirmação definitiva dessa data ainda dependa da localização de novos documentos. As fotos obtidas pelo Batatais News mostram o prédio do referido endereço que, inclusive, teria sido usado também para outros fins antes de sua demolição.
Um novo capítulo da história religiosa de Batatais
O estudo também demonstra que a chegada do protestantismo ao município ocorreu em um momento de profundas transformações no Brasil. Após a Proclamação da República e a separação entre Igreja e Estado, a liberdade religiosa permitiu que missionários protestantes ampliassem sua atuação pelo interior paulista, utilizando principalmente escolas, pregação itinerante e pequenas congregações domésticas para iniciar novos trabalhos.
Em Batatais, esse avanço encontrou resistência da Igreja Católica, que fortaleceu suas próprias instituições de ensino, associações religiosas e iniciativas de imprensa para preservar sua influência na formação da sociedade local.
Embora novas pesquisas possam ampliar ou aperfeiçoar essa cronologia, a documentação atualmente disponível permite afirmar que o metodismo representa a primeira presença protestante institucionalmente comprovada no município.
Esta pesquisa constitui apenas a primeira etapa de um estudo mais amplo que o Batatais News pretende publicar futuramente, reunindo documentos, fotografias, registros históricos e novos detalhes sobre a chegada do protestantismo à cidade, com as datas de origem de outras denominações evangélicas.
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FONTES DE CONSULTA:
Freitas, Nainôra Maria Barbosa de:
A criação da diocese de Ribeirão Preto e o governo do primeiro Bispo: D. Alberto José Gonçalves / Nainôra Maria Barbosa de Freitas - Franca: UNESP, 2006 Tese - Doutorado - História - Faculdade de História, Direito e Serviço Social - UNESP. 1. Diocese de Ribeirão Preto (SP) - História eclesiástica. 2. Igreja Católica - História - Brasil. 3. Província Eclesiástica.
Câmara Municipal de Batatais: https://camarabatatais.com.br/acervohistorico/arquivos?&per_page=6350
História do Metodismo:
Pelo Professor Paul Eugene Buyers (Lente da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista do Brasil.
Pesquisadores:
Carlos Alberto Moraes
Luis Claret Ferreira.





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