Uma conversa com o Professor Garcia
- Editor BN
- há 10 horas
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Entre números, sonhos e livros: Uma conversa com o professor e escritor Antonio Carlos Garcia.

Existem pessoas que parecem viver várias vidas em uma só. Algumas passam pela educação, outras pela política, outras pela literatura. Há ainda aquelas que deixam marcas em todos os caminhos por onde passam. O professor e escritor Antonio Carlos Garcia pertence a esse grupo.
Nesta semana, o Batatais News teve a oportunidade de conversar com esse ilustre batataense que, aos 72 anos, continua escrevendo novos capítulos de uma trajetória marcada pelo conhecimento, pelo serviço à comunidade e pela paixão pelas histórias.
Nascido em 29 de abril de 1954, na Fazenda da Mata, zona rural de Batatais, Antonio Carlos Garcia é filho de José Garcia e Efigênia Moroti Garcia, ambos já falecidos. Cresceu ao lado do irmão Marcos José Garcia e da irmã Maria Aparecida Garcia Policeno, em uma época em que a vida ensinava valores que não se aprendem nos livros: trabalho, perseverança e respeito pelas raízes.

Casado desde 23 de maio de 1981 com Maria Teresa Correa Garcia, construiu uma família que considera um de seus maiores patrimônios. É pai de Daniel Correa Garcia e Juliana Correa Garcia, além de avô da pequena Isabela Felício Garcia. Ao longo da coleta descontraída das informações que deram base a esta matéria, ficou evidente que, para ele, família não é apenas uma palavra, mas um alicerce que sustenta toda a caminhada.
Mas a história do professor Garcia não se resume ao ambiente familiar. Sua trajetória acadêmica e profissional revela uma dedicação permanente ao conhecimento.
Licenciado em Matemática pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, também viveu uma experiência marcante na juventude ao ingressar, em 1970, no Seminário Arquidiocesano Maria Imaculada (SAMI), em Brodowski, onde estudou até o segundo ano de Filosofia.
Talvez seja justamente dessa combinação entre matemática e filosofia que nasça a singularidade de seu olhar sobre o mundo. Afinal, poucos conseguem transitar com naturalidade entre a precisão dos números e as grandes perguntas da existência.
Na educação, construiu uma carreira sólida. Foi professor efetivo de Matemática da Rede Estadual de Ensino desde 1983, encerrando sua jornada profissional na Escola Estadual Dr. Washington Luís, em Batatais. Também atuou na ETEC Antônio de Pádua Cardoso, do Centro Paula Souza, onde igualmente se aposentou. Antes disso, já havia lecionado Física e Desenho Geométrico no tradicional Ateneu Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, no ano de 1977.
A atuação em defesa da categoria dos professores também fez parte de sua caminhada. Participou de dois mandatos na diretoria da APEOESP, o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, entre os anos de 1989 e 1990 e, posteriormente, de 1999 a 2001.
Como costuma acontecer com aqueles que enxergam a educação como instrumento de transformação social, o interesse pela vida pública surgiu naturalmente.
Eleito para vereador em Batatais, Antonio Carlos Garcia exerceu o mandato de 2000 a 2004. Segundo ele, foi uma experiência enriquecedora e uma oportunidade de contribuir na cidade, especialmente nas áreas da educação e da assistência social.

Mas talvez a fase mais surpreendente de sua trajetória tenha começado justamente quando muitos imaginariam que ele já havia encerrado seus grandes projetos. Foi quando decidiu aventurar-se pelo universo literário e publicou seu primeiro livro, “Jaguaretê, a cidade dos coronéis”, em junho de 2010.
O que parecia ser apenas uma nova experiência transformou-se em uma intensa produção intelectual, pois nesse curto espaço de 16 anos, o professor Garcia publicou nada menos que 37 livros.

Seu trabalho mais recente recebeu o título de “Guariba e Barrinha em chamas: a greve que enfrentou os usineiros”, obra que mergulha em um importante episódio da história social paulista.
Quando perguntado sobre futuros lançamentos, respondeu com a simplicidade de quem aprendeu a respeitar os caminhos da criatividade: - “Se vier alguma inspiração, um sonho ou uma viagem, escreverei”. A frase parece resumir sua relação com a literatura. Não escreve por obrigação nem por vaidade. Escreve porque observa, reflete e se deixa tocar pelas histórias que encontra pelo caminho.

Suas obras foram publicadas pelas editoras UICLAP, Clube de Autores e Autografia Editora. Esta última lhe proporcionou um momento especial: participar de uma manhã de autógrafos durante a 26ª edição da Feira Internacional do Livro de São Paulo, um dos mais importantes eventos literários do país.
O alcance de seus livros também ultrapassou fronteiras. Além do Brasil, suas obras encontram-se disponíveis em dezoito países, entre eles Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal, Japão, Austrália, Suécia, Holanda, Finlândia, Singapura, Nova Zelândia e África do Sul.
É curioso pensar que aquele menino nascido na Fazenda da Mata, em uma Batatais ainda predominantemente rural dos anos 1950, hoje tenha suas obras acessíveis em diferentes continentes. Talvez essa seja uma das mais belas lições de sua trajetória: o conhecimento não conhece fronteiras.
Ao final dessa nossa coleta de informações, ficou a impressão de que Antonio Carlos Garcia continua sendo, acima de tudo, um professor. Não apenas porque ensinou matemática durante décadas, mas porque sua própria vida ensina algo valioso.
Em tempos de velocidade e superficialidade, sua história lembra que o aprendizado é uma construção permanente. Que nunca é tarde para começar um novo projeto. E que os sonhos, assim como os livros, não têm prazo de validade.

Entre salas de aula, debates políticos, pesquisas históricas e páginas escritas, o professor Garcia segue demonstrando que uma vida bem vivida não é medida apenas pelos anos que se acumulam, mas pelas histórias que se escolhe deixar para as próximas gerações.
CONTATO COM O PROFESSOR GARCIA
WHATSAPP: (16) 99308-3504
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MATÉRIA ESPECIAL E EXCLUSIVA PARA O
BATATAIS NEWS COM O JORNALISTA
CARLOS ALBERTO MORAES.

