2026: Urnas eleitorais, estádios de futebol e um mundo à beira do caos
- Editor BN

- há 1 dia
- 3 min de leitura
2026 é o ano em que nada acontece isoladamente.
Se existe uma palavra capaz de definir 2026, ela não é “eleições”, nem “futebol”.
É conflito!

Para nós brasileiros, pode-se dizer que o ano começa oficialmente hoje, 2 de fevereiro, com Brasília retomando os trabalhos dos três Poderes da República e 5.565 municípios brasileiros abrindo as sessões de suas Câmaras Municipais, 15 deles aqui em Batatais. Um ritual democrático previsível - se o mundo não estivesse tão imprevisível. Geralmente, aqui no Brasil, tudo começa depois do carnaval, mas eu acredito que esse ano o carnaval fará parte das atividades de trabalho em todo o país.
Hoje, mais de 56 mil vereadores voltam ao exercício do mandato, conforme dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), enquanto o país se prepara para uma eleição geral que promete ser menos sobre propostas e mais sobre choques de visões de mundo. Em 2026, votar não será apenas escolher governantes; será declarar pertencimentos.
O Brasil e a ilusão de decidir sozinho
O discurso de soberania nacional insiste em que eleições são fenômenos internos. Não são. Em um mundo globalizado e tensionado, o resultado das urnas brasileiras dialoga diretamente com interesses internacionais, alinhamentos ideológicos e mercados nervosos.
O Brasil entra em 2026 ainda polarizado, emocionalmente cansado e politicamente fragmentado. O governo busca transformar realizações em continuidade; a oposição, dividida, tenta se reorganizar em meio a disputas internas, mas sem nenhum programa para apresentar. Com isso, o debate público segue empobrecido, sustentado por slogans, memes e indignação.
A pergunta que fica é desconfortável: o eleitor está escolhendo projetos ou apenas reagindo a medos cuidadosamente cultivados?
A Copa do Mundo como metáfora do nosso tempo

No meio desse caldo político, o mundo se prepara para a maior Copa do Mundo da história, pelo menos em números. De 11 de junho a 19 de julho, Canadá, Estados Unidos e México dividirão a vitrine global. Três países, 48 seleções, 104 jogos. Tudo grandioso. Tudo histórico. Mas também tudo paradoxal.
Os três países-sede vivem um momento de tensões comerciais e diplomáticas abertas, com tarifas, retaliações e discursos nacionalistas em alta. Os Estados Unidos, novamente orbitando a figura de Donald Trump, aprofundam conflitos econômicos que afetam aliados e adversários. Fala-se até em boicotes à Copa do Mundo, um evento que, ironicamente, vende a ideia de união entre os povos. Nunca o futebol pareceu tão incapaz de esconder o mundo real.
Guerras que não param para o intervalo
Enquanto o planeta se prepara para distrair o público com estádios cheios e bilhões ligados aos jogos pela internet, guerras seguem sem cerimônia. Conflitos armados persistem, crises humanitárias se aprofundam e a economia global opera em estado de alerta. Além das guerras “quentes”, multiplicam-se as guerras comerciais, as guerras informacionais e as guerras culturais.

Não há mais fronteiras claras entre paz e conflito. O mundo entrou em uma espécie de estado permanente de tensão, onde tudo é provisório: alianças, valores, verdades. E nesse cenário, eleições viram armas simbólicas.
Democracia sob pressão: uma leitura filosófica incômoda
A democracia moderna enfrenta um dilema: exige tempo, diálogo e complexidade - exatamente o oposto do que as redes sociais e o clima de crise oferecem. Em 2026, cresce o apelo por soluções simples, líderes fortes e respostas rápidas, mesmo que frágeis.
A polarização não é um acidente. Ela é funcional. Alimenta engajamento, fideliza bases e reduz o debate a um jogo binário: nós contra eles. Pensar vira um ato insano, quase subversivo.
A democracia não morre de um golpe só. Ela se desgasta, eleição após eleição, quando o voto deixa de ser escolha consciente e vira reação emocional.
2026 não será um ano para distraídos
O que se anuncia para 2026 não é apenas um calendário cheio. É um teste histórico. Entre urnas e estádios, discursos inflamados e guerras silenciosas, o mundo caminha no limite entre civilidade e barbárie.
O Brasil, como sempre, estará no meio desse furacão: grande demais para ser irrelevante, instável demais para ignorar seus próprios fantasmas.

Talvez a pergunta mais honesta não seja quem vencerá as eleições ou quem levantará a taça, mas outra, bem mais incômoda: que tipo de sociedade estaremos ajudando a construir enquanto aplaudimos, votamos e seguimos em frente?
IMAGENS PREPARADAS POR IA





Comentários