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BRICS ganha destaque como alternativa estratégica para o Brasil diante de tarifas dos EUA

  • jornaldeapoioedito
  • 19 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 23 de jul. de 2025

POR REDAÇÃO | BATATAIS NEWS | 19 DE JULHO DE 2025

 

Diante do novo pacote de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afeta diretamente a exportação de produtos brasileiros, o governo federal sinaliza um reposicionamento estratégico no cenário global. A principal aposta tem nome e força: BRICS - o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e, mais recentemente, outros países.

O BRICS representa hoje mais de 45% da população mundial e cerca de 36% do PIB global. A força econômica do grupo, especialmente com a liderança de China e Índia, vem se consolidando como um contraponto ao eixo tradicional Estados Unidos-Europa. Com crescimento robusto e mercados consumidores em expansão, o bloco oferece uma oportunidade estratégica para o Brasil diversificar suas exportações e reduzir a dependência de mercados historicamente voláteis como o norte-americano.

 

A resposta brasileira ao tarifaço de Trump

 

As novas tarifas impostas por Washington afetam setores sensíveis da economia brasileira, como o agronegócio (soja, carne, café), minério de ferro, celulose e produtos manufaturados. Em resposta, o Governo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva, através do Ministério das Relações Exteriores, junto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, tem articulado uma política externa mais assertiva em direção ao Sul Global.

 

Em Brasília, fontes do Itamaraty indicam que a diplomacia está empenhada em acelerar acordos bilaterais e ampliar canais comerciais com parceiros do BRICS e seus novos membros. A recente aproximação com Índia, Emirados Árabes e Egito sinaliza uma nova fase da política externa brasileira, mais pragmática e voltada para o desenvolvimento de novas cadeias de comércio.

 

A força econômica do BRICS: um bloco em ascensão

Além do peso demográfico e econômico, o BRICS avança em projetos de integração financeira e infraestrutura, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que oferece financiamentos sem as exigências políticas do FMI. O Brasil, por meio do BNDES, já articula novos projetos de cooperação com China, Rússia e África do Sul.

 

A China, maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, continua sendo uma das principais alternativas para compensar as perdas com os EUA. Em 2024, o comércio entre os dois países ultrapassou a marca dos US$ 170 bilhões. A Índia, com sua demanda crescente por alimentos e energia, também surge como mercado-chave para exportações agrícolas e de biocombustíveis brasileiros.

 

Os países do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, têm demonstrado interesse em importar carne, grãos, café e investir em infraestrutura logística no Brasil. O Egito, maior importador de alimentos da África, é um importante parceiro estratégico para o escoamento de produtos do agronegócio brasileiro.

 

A necessidade de uma diplomacia econômica ativa

 

O governo brasileiro vê na crise com os EUA uma oportunidade para acelerar a inserção internacional do país de maneira mais autônoma e estratégica. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado, em discursos e entrevistas, que o Brasil não aceitará ser penalizado por medidas protecionistas unilaterais e que continuará defendendo o multilateralismo e a liberdade de comércio.

 

Economistas e especialistas em relações internacionais avaliam que a chave está em investir em infraestrutura de exportação, acordos sanitários, parcerias logísticas e diplomacia comercial com países emergentes. O fortalecimento de relações com África, Oriente Médio e Ásia é visto como indispensável para uma transição bem-sucedida.

 

Conclusão: substituindo os EUA por um mundo multipolar

 

Ainda que os Estados Unidos continuem sendo um mercado relevante, o cenário atual obriga o Brasil a olhar para um mundo multipolar. O BRICS surge como alternativa sólida, com capacidade de absorver parte significativa das exportações brasileiras e ainda oferecer oportunidades de investimento e cooperação tecnológica.

 

A diversificação de mercados não é apenas uma reação às tarifas de Trump, mas uma estratégia de médio prazo para um Brasil mais soberano, competitivo e inserido nas novas dinâmicas do comércio global. O desafio agora é transformar esse potencial em resultados concretos para os setores produtivos e para a economia nacional como um todo.

 

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