Dra. Dalvania cobra providências diante de problemas no atendimento da UPA de Batatais
- Batatais News
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Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal realizada em 7 de julho, a vereadora Dra. Dalvânia utilizou a Tribuna para fazer um contundente pronunciamento sobre a situação da saúde pública em Batatais, concentrando suas críticas nas dificuldades enfrentadas pelos pacientes atendidos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

A parlamentar afirmou que, no exercício de sua função fiscalizadora, tem realizado visitas frequentes à unidade, principalmente nos finais de tarde e fins de semana, quando conversa com pacientes, familiares e profissionais da saúde. Segundo ela, as reclamações mais recorrentes dizem respeito às longas filas de espera, à demora no atendimento e às dificuldades para realização de exames considerados urgentes pelos médicos.
Dra. Dalvânia fez questão de destacar que as críticas não são dirigidas aos servidores da saúde, elogiando o empenho de médicos, enfermeiros e demais profissionais, que, segundo ela, trabalham no limite de sua capacidade. Para a vereadora, o problema está na insuficiência da estrutura para atender à crescente demanda da população.
Durante o pronunciamento, a parlamentar relatou um caso que acompanhou pessoalmente na UPA, no dia 24 de maio, envolvendo uma idosa que sofreu uma queda, retornou à unidade com sinais neurológicos graves e, posteriormente, precisou ser entubada enquanto aguardava atendimento especializado. A paciente foi transferida para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto apenas durante a madrugada do dia seguinte, onde passou por cirurgia, mas acabou falecendo dias depois.
Sem atribuir responsabilidades individuais pelo ocorrido, a vereadora afirmou que o episódio evidencia fragilidades estruturais no sistema de atendimento, como demora em exames, dificuldades na assistência especializada e sobrecarga dos profissionais.
Ao final, Dra. Dalvânia fez um apelo ao Poder Executivo e à Secretaria Municipal de Saúde para que promovam uma avaliação urgente da estrutura da UPA, do número de profissionais, dos protocolos de urgência e emergência, da realização de exames e do funcionamento do sistema de sobreaviso de especialistas.

A vereadora concluiu reafirmando que continuará exercendo seu papel de fiscalização, ouvindo a população e cobrando melhorias, defendendo que a saúde pública deve ser tratada como prioridade absoluta.
ÍNTEGRA DO PRONUNCIAMENTO
Senhor Presidente, nobres colegas vereadores, cidadãos e cidadãs que nos acompanham.
Boa tarde.
Subo a esta tribuna hoje com o coração pesado, mas também com o senso de responsabilidade que o mandato que me foi confiado exige. O tema que trago não é novo para esta Casa, mas sua urgência nunca foi tão evidente: a situação da nossa saúde pública, especialmente o atendimento prestado na nossa Unidade de Pronto Atendimento - a UPA.
Como parte do meu trabalho de fiscalização, tenho dedicado horas, principalmente nos finais de tarde e nos fins de semana, a visitar a unidade, conversar com pacientes, familiares e profissionais da saúde. E o que encontro, repetidamente, é um cenário que merece toda a nossa atenção: filas de espera que não diminuem, pacientes aguardando por longos períodos para serem atendidos e uma equipe de profissionais trabalhando no limite da sua capacidade.
Quero deixar muito claro que minhas palavras não são dirigidas aos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais servidores da saúde. Pelo contrário. Tenho testemunhado o esforço extraordinário desses profissionais, que muitas vezes sacrificam seu próprio bem-estar para atender à população. Eles fazem o possível e, muitas vezes, o impossível.
O problema não está na dedicação dos servidores. O problema está na insuficiência da estrutura para atender a demanda crescente da nossa cidade.
E essa preocupação se tornou ainda maior nesta semana.
Recebi diversas ligações de pacientes e familiares relatando dificuldades no atendimento, especialmente relacionadas ao tempo de espera e à demora para realização de exames considerados urgentes pelos próprios médicos que efetuaram o atendimento.
São relatos de pessoas que chegam à unidade em situação de sofrimento, são avaliadas pelos profissionais, recebem a solicitação de exames considerados necessários para definição do diagnóstico e do tratamento, mas acabam enfrentando longos períodos de espera até que esses exames sejam efetivamente realizados.
Quando falamos de um exame de urgência, não estamos falando de um procedimento opcional. Estamos falando de uma ferramenta essencial para que o médico possa tomar decisões rápidas e seguras. Em muitos casos, o tempo é determinante para o prognóstico do paciente.
E é justamente nesse contexto que preciso relembrar um episódio extremamente grave que acompanhei pessoalmente.
No dia 24 de maio (DOMINGO), por volta das sete e meia da noite, recebi o telefonema de uma família desesperada.
Dirigi-me imediatamente à UPA e me deparei com uma cena que jamais esquecerei. Uma senhora idosa, mãe e avó, estava sendo entubada. Sua história havia começado naquela mesma manhã. Após sofrer uma queda em casa, ela foi levada à UPA por sua filha.
Foi atendida e liberada. Entretanto, horas depois, por volta das quatro da tarde, apresentou um sinal alarmante: perdeu os movimentos do braço direito. Retornou à unidade e a situação tornou-se extremamente grave.
Segundo os relatos colhidos no local, o médico plantonista identificou a necessidade de avaliação neurológica e entrou em contato com o especialista de sobreaviso. Contudo, o neurologista não compareceu naquele momento, solicitando inicialmente uma tomografia.
O problema é que o tempo passava.
E em casos de trauma craniano ou possível evento neurológico grave, cada minuto pode representar a diferença entre a vida e a morte.
A paciente piorou rapidamente, começou a apresentar dificuldades respiratórias e precisou ser entubada para preservação da própria vida. Foi nesse momento, APÓS UMAS 2 HORAS do primeiro atendimento que cheguei à unidade e acompanhei toda a situação.
O médico plantonista agiu com competência e rapidez, conseguindo estabilizar a paciente. Mas uma pergunta permanecia sem resposta: onde estava o especialista?
Na minha presença, o médico realizou novo contato telefônico com o neurologista. Solicitei que informasse que eu estava ali, exercendo minha função fiscalizadora.
Somente cerca de trinta minutos depois o especialista compareceu à unidade. O diagnóstico foi preocupante: havia a suspeita de rompimento de um vaso cerebral, com formação de hematoma e compressão do cérebro. Era uma situação cirúrgica de extrema urgência.
Questionei por que a avaliação presencial não havia ocorrido antes. A justificativa apresentada foi a necessidade de aguardar o resultado da tomografia.
Mas a tomografia sequer havia sido realizada, porque a paciente precisou ser entubada antes para sobreviver.
Aquela senhora foi inserida na regulação para transferência. A vaga para o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto só foi disponibilizada no dia seguinte, já durante a madrugada. Ela foi encaminhada diretamente para cirurgia.
Infelizmente, apesar de todos os esforços posteriores, não resistiu e veio a falecer alguns dias depois.
Colegas vereadores, não estou aqui para apontar culpados de forma precipitada. Não sou autoridade julgadora e respeito o devido processo de apuração dos fatos. Mas também não posso me calar diante de situações que evidenciam fragilidades no sistema.
Essa ocorrência revela um cenário que precisa ser enfrentado com seriedade: sobrecarga dos profissionais, demora em procedimentos diagnósticos, dificuldades na assistência especializada e uma demanda muito superior à capacidade operacional disponível.
E quando somamos esse episódio aos relatos que recebi nesta semana sobre filas de espera e demora para exames urgentes, percebemos que não estamos diante de um fato isolado, mas de um problema estrutural que exige providências concretas.
Por isso, faço um apelo respeitoso, mas firme, ao Poder Executivo, ao senhor Prefeito Municipal e à Secretaria de Saúde.
Precisamos avaliar urgentemente a estrutura de atendimento da UPA. Precisamos verificar se o quadro atual de profissionais é suficiente. Precisamos analisar os fluxos de atendimento, os protocolos de urgência e emergência, os mecanismos de realização de exames e a efetividade do sistema de sobreaviso dos especialistas.
Precisamos garantir que nenhum paciente em situação grave fique aguardando além do razoável por atendimento, diagnóstico ou avaliação especializada.
Saúde pública não pode ser tratada apenas por números e planilhas. Por trás de cada ficha existe uma pessoa, uma família e uma história. Quem procura a UPA não está ali por escolha. Está ali porque precisa de ajuda. E cabe a todos nós, independentemente de posições políticas, trabalhar para que essa ajuda chegue no momento certo.
Continuarei exercendo meu papel de fiscalização com responsabilidade, equilíbrio e firmeza. Continuarei ouvindo a população, acompanhando de perto a realidade da nossa saúde e cobrando as melhorias necessárias.
Faço isso não por disputa política, mas por compromisso com a vida das pessoas.
Que os relatos que recebi nesta semana sejam ouvidos. Que a dor das famílias seja respeitada. E que os problemas identificados se transformem em soluções concretas para toda a população de Batatais.
A saúde precisa ser prioridade absoluta.
Muito obrigada.






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