Em 03 de agosto de 1914, o mundo mergulhou na Primeira Guerra Mundial - Um alerta para o presente?
- jornaldeapoioedito
- 3 de ago. de 2025
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Atualizado: 11 de ago. de 2025
POR REDAÇÃO | BATATAIS NEWS | HISTÓRIA E GEOPOLÍTICA
Há exatos 111 anos, no dia 3 de agosto de 1914, o mundo testemunhava o início de uma das maiores tragédias da humanidade: a Primeira Guerra Mundial. Naquele dia, França, Bélgica e Grã-Bretanha declararam guerra à Alemanha, completando um alinhamento militar explosivo após o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, no dia 28 de junho. O que começou como um atentado político local desencadeou uma reação em cadeia entre alianças militares e rivalidades imperialistas que já vinham se acumulando por décadas.

Até aquele fatídico 3 de agosto, praticamente todas as grandes potências europeias haviam entrado no conflito. Somente a Itália, embora parte da Tríplice Aliança, optou por uma neutralidade inicial, aguardando as oportunidades mais favoráveis antes de também se engajar no combate, o que viria a ocorrer posteriormente. O continente foi rapidamente tragado por uma guerra total, que se espalhou por colônias e oceanos, redefinindo fronteiras, regimes e o próprio destino da civilização ocidental.
A guerra durou mais de quatro anos, ceifou cerca de 20 milhões de vidas e alterou irremediavelmente o equilíbrio político do mundo. No fim, impérios desmoronaram - Austro-Húngaro, Otomano, Alemão e Russo - e novas ideologias passaram a disputar a hegemonia do século XX. A sensação de catástrofe iminente, porém, não impediu o surgimento de novos conflitos, culminando apenas duas décadas depois na Segunda Guerra Mundial.
Um espelho perturbador:
Os riscos de uma nova guerra mundial no século XXI
Hoje, mais de um século depois, o cenário geopolítico internacional carrega inquietantes paralelos com aquele início de século XX. Tensões entre blocos econômicos, corrida armamentista, disputas territoriais, avanço do autoritarismo e colapso de antigas ilusões liberais assombram novamente os horizontes do planeta.

Diferentemente de 1914, a guerra de hoje não se desenha apenas nas trincheiras, mas também no ciberespaço, nas economias globais e nos embates ideológicos internos. A ascensão de governos de extrema direita, com discursos reacionários e nacionalistas, tem reacendido antagonismos históricos e enfraquecido o multilateralismo internacional. Tais governos, ao se apresentarem como antídotos ao fracasso do neoliberalismo - que concentrou riqueza, aumentou desigualdades e desestruturou estados nacionais - acabam, paradoxalmente, inflamando ainda mais as contradições do sistema.
Ao invés de promover reformas estruturais no modelo de acumulação capitalista, muitas dessas lideranças apelam para o discurso da força, da identidade nacional e da "reconquista de grandeza", o que favorece políticas militaristas, xenófobas e isolacionistas. O resultado é um mundo mais polarizado, onde alianças instáveis e provocativas podem, novamente, transformar conflitos localizados em incêndios globais.
Um chamado à memória e à vigilância
A história de 1914 não se repete literalmente, mas seus ecos ressoam com força. O que começou com uma bala em Sarajevo tornou-se um cataclismo global justamente porque os mecanismos diplomáticos foram ignorados em nome do orgulho, do revanchismo e da sede por poder. Da mesma forma, hoje, o acirramento entre potências como Estados Unidos, China, Rússia e seus respectivos aliados pode colocar o planeta em rota de colisão caso não haja freios políticos e institucionais.
Relembrar o 3 de agosto de 1914 não é apenas um exercício de memória histórica. É um alerta vivo de que a paz é sempre frágil quando governada por impulsos irracionais, ressentimentos de classe e interesses econômicos desiguais. Se a humanidade não enfrentar de forma corajosa as falhas do modelo econômico vigente e o autoritarismo emergente, poderá, mais uma vez, testemunhar o colapso da ordem global - com consequências ainda mais devastadoras.
Porque a guerra, quando começa, sempre parece inevitável. E a paz, quando se perde, parece ter sido um sonho distante.





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