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O mundo (quase) sob controle

  • jornaldeapoioedito
  • 13 de jan. de 2025
  • 5 min de leitura

Atualizado: 18 de jan. de 2025

Do final do primeiro século d.C, no Império Romano, consta a origem da expressão latina, “panem et circenses” (pão e circo), atribuída ao poeta satírico Juvenal. A expressão é uma referência à política do pão e circo, que foi implementada pelo imperador Otávio Augusto, em 27 a.C., para controlar a população plebeia. A política consistia em distribuir trigo e promover grandes espetáculos para distrair a população e evitar que se revoltasse contra as péssimas condições de vida.


Até hoje a política do “pão e circo” promove o apaziguamento e funciona a favor dos que exercem o poder. O que ajuda muito para que essa tática continue funcionando com o povo, especialmente de baixo poder aquisitivo, é manter uma educação formal deficiente e afastar o povo das atividades culturais.

 

Outra frase que merece reconhecimento pela sua eficiência, é atribuída a autores do século XVIII, e aparece citada por Hegel na Introdução à Crítica da Filosofia do Direito, e sintetizada por Karl Marx, “A religião é o ópio do povo". A expressão transmite a ideia de que a religião produz uma felicidade ilusória e que a abolição dela é necessária para que os homens possam lutar pela sua verdadeira felicidade. Para Marx, a religião alienava os seres humanos da realidade, limitando o seu verdadeiro potencial. Considerava que a religião deveria ser eliminada da sociedade.

 

Para sermos realistas, a religião como ópio do povo, na perspectiva da fé cristã, é verdadeira. Todas as religiões causam cegueira espiritual, e uma falsa sensação de segurança. A religião produz uma segurança ilusória, alienando as pessoas acerca da verdade central do cristianismo que é fé resultante do ouvir a Palavra de Deus, que leva ao reconhecimento do pecado, possibilitando o perdão, inundando a vida pela graça de Deus. A religião exige pagamento enquanto o cristianismo diz que já foi pago.

 

O nosso país é um dos mais religiosos do planeta. Pesquisa do Instituto IPSOS, realizada em 26 países e publicada pelo PODER360 em 22 maio de 2023, mostra que o Brasil está entre os mais religiosos, com 89% das pessoas afirmando acreditar em Deus. Esse acreditar em “deus”, “ser ou força superior”, entre outras tantas formas de divindades, coloca no mesmo balaio, religiosos em geral, e cristão genuínos.

 

Neste texto não estou tratando de religião ou cristianismo. O meu objetivo é analisar o momento que vivemos, neste limiar do primeiro quarto do século 21, pela perspectiva do controle das massas facilitando o exercício do poder sobre elas. Para isso, está sendo utilizado com sucesso, três elementos básicos poderosos: coachs, bets e “deus”. Pode-se dizer, uma versão contemporânea do “pão e circo”.

 

COACH


Coach é uma profissão com padrões éticos rigorosos e programas de certificação estabelecidos por organizações como a International Coaching Federation (ICF). Genericamente, trata-se de um treinador, um instrutor de qualquer área.

 

Por outro lado, coach não tem direito de propriedade e nem uma regulamentação específica, mesmo havendo escolas de formação que levam a sério. Na maioria das vezes, o que se vê é um besteirol sem limites e, muito charlatanismo se utilizando da terminologia e dos processos.

 

BETS


O termo “bet” é a palavra em inglês para “aposta”. No contexto de jogos de azar, “bet” se refere a qualquer tipo de aposta feita em eventos cujo resultado é incerto, como partidas esportivas ou jogos de cassino. A palavra tem sido amplamente adotada por diversas plataformas de apostas online.

 

Há um enxurrada delas, a ponto do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad ter anunciado no final de 2024, que 600 sites de apostas online, “bets”, poderão ser banidas do Brasil se estiverem irregulares em relação à legislação aprovada pelo Congresso Nacional.

 

“DEUS”


No século XIX, surgiu nos EUA uma corrente teológica cujo eixo central era a comercialização da fé cristã a partir da deturpação dos ensinamentos bíblicos. Como diferencial, defendia ardorosamente o acúmulo de riquezas materiais na terra como sinal de bênção. Estamos falando da Teologia da Prosperidade, identificada, também, como Movimento da Fé ou Confissão Positiva.

 

Atualmente, a Teologia da Prosperidade se faz presente em todo o mundo, exaltando os privilégios que a riqueza e o dinheiro podem trazer, apresentando-os como “retribuição divina” aos fiéis que seguem sua doutrina, substituindo a fé e a devoção por “prósperos empreendimentos.”

 

Aproveitando a dinâmica da reforma dos mercados e função dos governos submissos ao Capital e ao “deus” Mercado, que levou 80% da população mundial a viver sob cruel desigualdade social, a ideia de “melhorar de vida” arrebanha adeptos convencendo-os de que a prosperidade e o bem-estar é possível por essas vias quase “mágicas”.

 

Assim, há “coachs”, “empresários de bets” e “pastores” que estão na crista da onda para aqueles que buscam, desesperadamente e a qualquer custo, o enriquecimento material rápido e eficiente.

 

REDES SOCIAIS E BIG TECHS: CONTROLE (QUASE) TOTAL


As redes sociais e todos os meio que facilitam a comunicação entre as pessoas no planeta Terra, colocam em evidência todo tipo de “coachs”, “empresários de bets” e “pastores” com um leve toque de dedo. O mundo da tecnologia possibilita essa interação de forma intuitiva através da tela sensível ao toque, ou “touch screen”, disponível em celulares, tablets, e em muitos outros dispositivos.

 

As Big Techs, empresas gigantes de tecnologia que dominam o mercado de inovação tecnológica, exercem grande poder econômico e cultural, controlando redes sociais, aplicativos de celular e programas de comunicação internacional sob o controle capitalista. Essas empresas de caráter supra nacionais influenciam as atividades econômicas e culturais por toda parte. 

 

Por mais que os governantes queiram manter a soberania nacional, aos poucos vão percebendo que a força das Big Techs é insuperável. Pode-se dizer, que o mundo está na final de um controle total. A força da concentração das riquezas reais pelo capitalismo resultará na concentração de um poder nunca visto na história humana.

 

Desde 2016 ficou constatado pela organização não-governamental britânica, OXFAM, que a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial equivale à riqueza dos 99% restantes. Essa constatação é lastreada nos dados do Banco Credit Suisse relativos a outubro de 2015. Para estar entre o 1% mais rico, é preciso ter 760 mil dólares.

 

O fato mais alarmante é que a atual concentração de riqueza não tem precedentes na história do capitalismo desde suas origens no final do século XV e início do século XVI na crise do feudalismo. O mundo passou pelo Capitalismo Comercial, o Industrial, até deteriorar-se no atual Capitalismo Financeiro protagonizado pela especulação financeira do neoliberalismo.

 

EPÍLOGO: UTOPIA E DISTOPIA


Utopia e distopia são conceitos filosóficos explorados pela literatura e pelo cinema, para descrever realidades futuras opostas. Enquanto a utopia representa uma sociedade ideal, a distopia retrata um cenário sombrio e caótico.

 

Um mundo utópico, geralmente é caracterizado por igualdade e justiça social; paz e harmonia entre os povos; tecnologia avançada a serviço do bem-estar comum; respeito ao meio ambiente; liberdade individual com responsabilidade para harmonia da coletividade; boa educação e conhecimento acessíveis a todos; saúde e bem-estar garantidos a cada cidadão.

 

O mundo distópico é marcado por desigualdade e opressão; conflitos e violência generalizados; tecnologia controladora e manipuladora; degradação ambiental e escassez de recursos; perda de liberdade e autonomia individual; propaganda e manipulação da informação; desumanização e exploração dos indivíduos.

 

Para os que sonham com um mundo melhor, a crença é que a utopia é possível e ainda virá. São pessoas que acreditam que a escolha entre o utópico e o distópico depende apenas das decisões individuais que tomamos hoje.

 

Por uma visão realista, teremos, sim, tanto a utopia, quando a distopia, pois o que ocorre no planeta a olhos visto e sem qualquer possibilidade de impedimento, é a concentração da riqueza e do poder. O mundo utópico planejado pelo 1% será uma ilha cercada por 99% dos que viverão no mundo distópico através da socialização da miséria.

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AS IMAGENS FORAM CRIADAS POR IA

 

 

 

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