Os pequenos do reino
- Carlos Moraes

- 12 de out. de 2025
- 2 min de leitura
ESPECIAL | DIA DAS CRIANÇAS | BATATAIS NEWS
Desde as páginas do Antigo Testamento até as histórias encantadoras dos evangelhos, as crianças sempre ocuparam um lugar especial no coração de Deus. Elas são, nas palavras do salmista, “herança do Senhor” e “galardão” (Salmo 127.3). Mais do que isso - são lembranças vivas de que a fé começa em casa, nos gestos simples, nas orações antes de dormir e nas conversas cheias de curiosidade e encanto infantil.
Na tradição bíblica, a infância não era vista como uma fase a ser apenas “suportada” até a vida adulta, mas como um tempo sagrado de formação e aprendizado. O livro de Deuteronômio traz uma das mais belas responsabilidades dadas aos pais: “Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos” (Deuteronômio 6.6-7). Em outras palavras, ensinar a fé era um dever familiar, e o lar - o primeiro templo.
Os antigos hebreus sabiam que, se uma geração esquecesse a Palavra, a próxima perderia o rumo. Por isso, as crianças eram incluídas nas festas, nas histórias e nas memórias da caminhada com Deus. Elas aprendiam, desde cedo, que faziam parte de algo maior: uma história de promessa e esperança.
Séculos depois, Jesus chega e transforma esse olhar em algo ainda mais profundo. Quando os discípulos tentaram impedir que os pequeninos se aproximassem, o Mestre foi direto: “Deixai vir a mim os pequeninos, e não os impeçais, porque dos tais é o Reino dos céus” (Mateus 19.14).
É curioso perceber como o próprio Cristo, cercado de mestres, pescadores e autoridades, fez questão de abrir espaço para as crianças. Ele não as tratou como “futuras” cidadãs do Reino, mas como exemplos vivos do que significa pertencer a ele. “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mateus 18.3).
Em tempos modernos, em que as agendas lotadas e as telas substituem as conversas ao redor da mesa, o ensino bíblico soa como um lembrete necessário: cuidar das crianças é mais do que protegê-las - é investir na continuidade da fé, da ternura e da esperança.
Jesus nos convida a redescobrir o valor da simplicidade infantil: o olhar confiante, o coração aberto, a fé que não precisa de provas. Porque, em última análise, foi assim que o próprio Deus decidiu vir ao mundo - não em tronos, mas em fraldas. “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Isaías 9.6).
E talvez seja por isso que, ainda hoje, cada criança que nasce traz consigo um recado do alto: o Reino continua entre nós, e ele começa com os pequenos.
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Referências:
Salmo 127.3-5; Deuteronômio 6.6-7; Mateus 18.3; Mateus 19.14; Isaías 9.6.





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