Sete mulheres e a graça que escreveu minha história: Uma crônica para o "Dia Internacional da Mulher"
- Editor BN

- há 7 horas
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Há datas que são apenas lembradas; outras, porém, são sentidas. O Dia Internacional da Mulher pertence à segunda categoria. Ele não é apenas uma marca no calendário, mas um convite à memória - e memória, quando tocada pela gratidão, transforma-se em oração silenciosa.
Ao olhar para trás, percebo que minha própria história foi sendo escrita, capítulo por capítulo, pelas mãos de sete mulheres usadas por Deus. Sete presenças que, cada uma à sua maneira, ajudaram a moldar o homem que sou. Não foram apenas personagens da minha vida; foram alicerces.
A primeira bendita foi mamãe, literalmente Benedita!
Antes de qualquer outra relação, antes de qualquer escolha ou caminho, houve o milagre simples e profundo de uma mãe. Sem ela, eu não existiria. Foi ela quem me ensinou, nos gestos cotidianos, aquilo que nenhuma escola é capaz de transmitir: o valor do cuidado, da fé e da perseverança. Em sua simplicidade havia uma espécie de sabedoria silenciosa, dessas que se aprende observando mais do que ouvindo. Toda mãe, de certa forma, é a primeira teóloga que um filho conhece - porque é no colo dela que começamos a entender o significado do amor.
A segunda mulher da minha vida foi Agnes, minha esposa.
Companheira fiel, amiga constante, amada e amante ao longo de mais de cinquenta anos de casamento. Meio século de caminhada compartilhada não se constrói apenas com sentimentos intensos, mas com algo ainda mais profundo: compromisso. Agnes esteve ao meu lado nos dias de sol e também nos dias nublados. Com ela aprendi que o amor verdadeiro não é apenas uma emoção; é uma decisão diária, renovada no altar invisível da convivência.
A terceira foi Luciana, minha sogra.
Há quem conte histórias difíceis sobre sogras, mas a providência divina escreveu um roteiro diferente para o papel da minha sogra. Dona Luciana foi para mim uma segunda mãe. Recebeu-me não como um estranho que chegava à família, mas como um filho que sempre esteve ali. Seu carinho ampliou os limites da palavra “família”, mostrando que os laços do coração muitas vezes são tão fortes quanto os do sangue.
Depois vieram as filhas - e com elas, a alegria inesperada de uma casa cheia de vozes femininas.
A primogênita foi Luciana, a filha cujo nome homenageou a avó materna, minha sogra.
Seu nascimento me transformou em pai. No dia em que ela nasceu, percebi que Deus havia atendido a um sonho silencioso do meu coração - muitas vezes verbalizado aos mais próximos: “quero ter uma menina”. Mas o Senhor, que às vezes gosta de surpreender seus filhos, parecia ter preparado algo ainda maior.
Veio então Talita, seis anos depois.
Por nove anos reinou soberana como a menina mais nova da casa. A segunda filha carrega sempre uma posição curiosamente privilegiada: tem, por assim dizer, duas mães. A filha mais velha deseja cuidar dela como se fosse sua filhinha, especialmente neste caso, em qua a mãe trabalhava fora. Nunca houve competição, mesmo que, por quase uma década, Talita ocupasse aquele pequeno trono doméstico - cercada de carinho e de expectativas.
Até que chegou Letícia.
Com sua chegada, a ordem da casa mudou. Talita foi promovida à clássica posição de filha do meio, aquela que aprende cedo a arte do equilíbrio entre as irmãs. Letícia, por sua vez, trouxe nova música à sinfonia familiar, ampliando ainda mais o coro feminino que enchia a casa de vida. Agora o trono era dela, e as duas mais velhas disputavam com a mãe o privilégio de cuidar do “bebê”.
Com o passar dos anos, comecei a imaginar o futuro.
Pensava que, quando cada uma das minhas filhas se casasse, talvez chegassem seis netas - duas de cada casamento - multiplicando ainda mais aquela presença feminina que já era marca da minha história.
Mas a vida, como sabemos, raramente segue exatamente os planos e roteiros que traçamos.
Veio apenas uma neta.
E que uma!
Foi do casamento da primogênita que nasceu Melissa, minha neta única. Ela veio completar, de forma quase poética, o número simbólico de sete mulheres em minha vida. Sete é número de plenitude nas Escrituras - e talvez por isso sua chegada tenha me dado a sensação de que algo estava completo.
Agora Melissa já tem casamento marcado para este ano!
E eu, que nunca deixei de sonhar, fiz a ela uma pequena, divertida - e ao mesmo tempo séria - incumbência familiar: já que foi a única neta que chegou, ficou encarregada de não frustrar completamente meu antigo projeto demográfico. Se não vieram seis netas, quem sabe venham cinco bisnetas… e assim se complete o sonho de doze mulheres na família.
Assim a conta volta a fechar.
Sonhos à parte, olhando para essa pequena constelação feminina que iluminou minha jornada, percebo algo que vai além das histórias pessoais. Deus costuma revelar muito de sua graça através de pessoas - e, na minha história, Ele escolheu fazer isso através de mulheres.
Minha mãe, minha esposa, minha sogra, minhas filhas e minha neta. Sete mulheres que, cada uma à sua maneira, ensinaram lições de fé, ternura, coragem e esperança.
Neste Dia Internacional da Mulher, portanto, minha homenagem não é apenas uma reflexão abstrata sobre a importância feminina na sociedade. É um agradecimento concreto, carregado de nomes, rostos e memórias que marcam profundamente a minha trajetória.
Porque, no final das contas, minha história não foi escrita sozinho. Ela foi escrita por sete mulheres - e pela graça de Deus que as colocou, uma a uma, nas páginas da minha vida.
Carlos Alberto Moraes






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