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Um mundo em colapso interior: reflexões sobre o Dia Mundial da Saúde Mental

  • Foto do escritor: Editor BN
    Editor BN
  • 10 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

POR REDAÇÃO | BATATAIS NEWS | OUTUBRO DE 2025

 

O dia 10 de outubro é reconhecido mundialmente como o Dia da Saúde Mental, uma data criada pela Federação Mundial da Saúde Mental em 1992 para despertar consciência sobre a importância do equilíbrio emocional e psicológico. Mas, ironicamente, chegamos a 2025 com uma sensação coletiva de que o mundo, de fato, enlouqueceu.

 

Vivemos em uma era de paradoxos: nunca tivemos tanto acesso à informação - e nunca fomos tão reféns dela. Nunca se falou tanto sobre saúde mental - e nunca se vendeu tanto remédio para ansiedade, depressão e insônia. O colapso emocional da modernidade tornou-se um retrato de uma sociedade exaurida, que tenta anestesiar o sofrimento com comprimidos, enquanto se distancia cada vez mais da raiz de sua dor: a perda do sentido de existir.

 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos mentais como ansiedade, depressão e burnout causam uma perda global de US$ 1 trilhão por ano em produtividade. Mas a perda vai muito além do campo econômico. É uma erosão lenta do humano em nós - a incapacidade de sentir, de refletir e de conviver com o silêncio.

 

A mente inflamada de uma sociedade doente

 

A médica nutróloga Bruna Durelli lembra que corpo e mente não são entidades separadas. O metabolismo inflama, o humor oscila, o sono desaparece. Deficiências de vitaminas, dietas industrializadas e jornadas de trabalho exaustivas compõem o cenário ideal para uma mente em desequilíbrio. “Quando o corpo volta a funcionar bem, a energia, o sono e a disposição melhoram - e isso impacta diretamente o bem-estar emocional”, explica.

 

Mas o que vemos é o oposto: um corpo alimentado por ultraprocessados e uma mente intoxicada por ideias extremistas, fake news e algoritmos que moldam crenças e comportamentos. A sociedade moderna, saturada de estímulos, tornou-se cognitivamente preguiçosa - incapaz de refletir com profundidade, presa a bolhas ideológicas e escravizada por narrativas radicais que substituem o pensamento crítico por slogans.

 

A arte de desacelerar e reaprender a sentir

 

Em meio a essa tempestade emocional, há quem defenda o retorno ao essencial: o contato com o corpo, a natureza e a arte. A psicóloga e hipnoterapeuta Brunna Dolgosky observa que a arte é uma das linguagens mais antigas da humanidade - e uma das mais poderosas formas de cura. Através da expressão criativa, o ser humano reencontra a si mesmo.

 

Cuidar da mente, portanto, é um ato político e filosófico. É resistir à desumanização do cotidiano, à pressa, ao consumo desenfreado e à tirania da produtividade. É reconhecer que a saúde mental não é apenas ausência de doença, mas presença de sentido.

 

Entre o caos e o cuidado

 

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, a principal reflexão talvez seja esta: não há pílula capaz de curar uma sociedade que perdeu o contato com a realidade, com o outro e consigo mesma. O verdadeiro tratamento começa quando resgatamos a capacidade de sentir - mesmo que isso inclua a dor.

 

Em um mundo cada vez mais “louco”, preservar a lucidez tornou-se um ato de coragem. E cuidar da mente, antes de ser um luxo, é um imperativo existencial.

 

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