Batatais se despede do Cônego Eloy Pupin
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Sacerdote, professor e homem de intensa atuação comunitária, Cônego Eloy Pupin dedicou décadas à Igreja e à vida social de Batatais.
“Réquiem aeternam dona eis, Domine (Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno)”

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Batatais perde uma das figuras mais presentes em sua história religiosa contemporânea. Na madrugada deste domingo 16 de agosto de 2026, “Solenidade da Assunção de Nossa Senhora”, o nosso Vigário Paroquial Emérito Cônego Eloy Pupin, faleceu na Santa Casa de Batatais, sacerdote que durante décadas esteve presente não apenas no altar, mas também nas salas de aula, nas comunidades dos bairros, nas instituições assistenciais e em importantes iniciativas sociais do município.
Sua trajetória teve uma característica singular. Eloy Pupin não ingressou ainda menino na formação sacerdotal. Antes de vestir a batina, conheceu o trabalho no campo e exerceu atividades simples em Batatais. Foi frentista, faxineiro e cobrador. Somente aos 29 anos entrou para o seminário. Anos depois, seria sacerdote, reitor de seminário, professor, filósofo, estudioso da parapsicologia e pároco de uma das mais antigas comunidades católicas da região.
Da infância no campo à vida em Batatais
Eloy Pupin nasceu em 23 de fevereiro de 1934, no Sítio Monte Belo, em Brodowski, São Paulo. Filho de Paulo Pupin e Regina Capeloci Pupin, cresceu em uma família numerosa, formada por onze filhos - nove irmãs, um irmão e Eloy.
Sua infância esteve profundamente ligada ao meio rural. Morou na Fazenda Campo Alegre, de Zeferino Girardi, em Brodowski, e posteriormente na Fazenda Bela Vista, de Joaquim Antônio Alves Pereira, em Batatais.
Em 1957, aos 23 anos, mudou-se com a família para Batatais. Os Pupin residiram nas ruas Germano Moreira, Comandante Salgado e Major Antão, adquirindo posteriormente uma casa na Rua Rio Grande do Sul.
Durante três anos, Eloy trabalhou como frentista no Posto São Jorge, de Zeferino Mazzo. Depois, por aproximadamente outros três anos, exerceu as funções de faxineiro e cobrador no Clube XIV de Março.
Era o começo humilde de uma trajetória que, anos mais tarde, estaria profundamente ligada à história religiosa e social de Batatais.
Aos 29 anos, a decisão pelo sacerdócio
Em 1963, aos 29 anos, Eloy Pupin tomou a decisão que definiria o restante de sua vida: ingressou no seminário.
Seguiu para São Paulo e permaneceu, até 1966, no Seminário Propedêutico Santo Cura d'Ars, localizado na Freguesia do Ó, onde cursou o ginasial e o colegial.
Em 1967 iniciou o primeiro ano de Filosofia, no bairro da Penha, junto aos seminaristas da Arquidiocese de São Paulo. O curso não teve continuidade, sendo encerrado pelo então arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Agnelo Rossi.
Eloy prosseguiu nos estudos. Entre 1968 e 1969 frequentou a Faculdade Nossa Senhora Medianeira, dos padres jesuítas, obtendo licenciatura em Filosofia, Psicologia e Sociologia.
No final de 1969 passou a residir com os padres salesianos no Instituto Teológico Pio XI, no Alto da Lapa, em São Paulo. Ali cursou Teologia entre 1970 e 1973 e recebeu os ministérios de leitor e acólito.
Em 1973 foi ordenado diácono.
Ordenado sacerdote na Matriz de Batatais
No dia 20 de janeiro de 1974, Eloy Pupin foi ordenado sacerdote por Dom Bernardo José Bueno Miele, na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, em Batatais.
Aquele templo teria uma importância fundamental em sua vida. Foi ali que recebeu o sacerdócio e seria justamente ali que, poucos anos depois, desenvolveria a parte mais longa e marcante de seu ministério.
Após a ordenação, Padre Eloy foi vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Sertãozinho, sendo posteriormente transferido para a Paróquia São João Batista, na mesma cidade.
Em 1975 passou a atuar na Paróquia São Pedro Apóstolo, em Ribeirão Preto.
Entre 1976 e 1978, assumiu a reitoria do Seminário Maior da Província Eclesiástica de Ribeirão Preto, participando diretamente da formação de futuros sacerdotes.
Em 1979 foi vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Brodowski.
Mas naquele mesmo ano retornaria a Batatais.
O retorno definitivo a Batatais
Em julho de 1979, Padre Eloy Pupin foi transferido para a Paróquia do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, tornando-se vigário paroquial do então pároco Monsenhor Mário da Cunha Sarmento.

FOTO ENVIADA POR LUIS CLARET FERREIRA
Em 19 de março de 1980, foi nomeado pároco.
Começava uma das mais importantes etapas de sua trajetória.
Padre Eloy acompanhou uma Batatais que crescia para além de sua região central e percebeu a necessidade de levar a presença da Igreja aos novos bairros. Durante seu paroquiato foram criadas e estruturadas comunidades dedicadas ao Menino Jesus de Praga, São Cristóvão, Nossa Senhora Auxiliadora, São Francisco, Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora
Aparecida, Santa Luzia e Nossa Senhora de Fátima, com suas igrejas e centros catequéticos.
O trabalho de descentralização contribuiu para a posterior criação de novas paróquias no município, inclusive nos anos de 2000 e 2004.
Durante sua administração foram ainda implantadas e fortalecidas a Pastoral da Criança, Pastoral da Saúde, Pastoral de Casais e Pastoral da Juventude, além do Serra Clube e do Cursilho de Cristandade. Padre Eloy também procurou conservar as irmandades e movimentos religiosos já existentes.
A grande obra no piso da Matriz
Entre as realizações materiais de sua administração paroquial, merece destaque uma importante intervenção realizada na Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus da Cana Verde.
Cônego Eloy Pupin foi responsável pela troca do piso da Matriz, obra de grandes proporções para a comunidade e que exigiu expressiva mobilização financeira. À época, o serviço foi orçado em mais de R$ 110 mil, valor significativo para uma intervenção dessa natureza.
A substituição do piso não representou apenas uma melhoria material no templo. Tratava-se de uma intervenção em um dos principais patrimônios religiosos e históricos de Batatais, espaço que há gerações acompanha os acontecimentos mais importantes da vida católica da cidade.
A realização dessa obra passou, assim, a integrar o conjunto de iniciativas deixadas por Padre Eloy no próprio edifício da igreja onde havia sido ordenado sacerdote em 1974 e da qual, anos mais tarde, se tornaria pároco.
Do altar para a vida da cidade
A presença de Padre Eloy não ficou restrita à Igreja.
Ao longo dos anos, envolveu-se diretamente em questões sociais e comunitárias. Trabalhou em favor da construção de casas populares nos bairros Zeca Lopes e Jácomo Rampim e integrou a mesa diretora da Santa Casa - Hospital Major Antônio Cândido.
Também teve participação na vida pública da cidade e manteve atuação junto a movimentos e grupos políticos locais.
Na área cultural, esteve entre os fundadores do Festival Gastronômico e Cultural de San Gennaro, iniciativa que se consolidaria no calendário de Batatais.
Padre Eloy tornou-se, assim, conhecido mesmo entre aqueles que não participavam diretamente da vida paroquial. Sua figura ultrapassava os limites da sacristia: estava nos bairros, nas escolas, nas entidades e nos acontecimentos da cidade.
O professor
Se o sacerdócio foi sua vocação, o magistério foi uma de suas grandes paixões.
No Seminário de Brodowski lecionou Lógica, História da Filosofia Antiga, Cultura Religiosa, Filosofia da Religião e Parapsicologia.
Também atuou como professor no Centro Universitário Claretiano e em outras instituições de ensino do município.
Entre 1999 e 2000, realizou estudos de mestrado em Parapsicologia no Centro Latino-Americano de Parapsicologia. Entre 2002 e 2006, desenvolveu estudos de mestrado em Filosofia da Educação na instituição Moura Lacerda, em Ribeirão Preto.
A parapsicologia tornou-se uma das áreas às quais dedicou especial atenção. Ministrou cursos de Parapsicologia Pastoral para leigos em Batatais, Bebedouro, Jardinópolis, Ribeirão Preto e Sertãozinho.
Em 2015, publicou o livro Parapsicologia e Religião, deixando também na palavra escrita parte do conhecimento acumulado durante anos de estudos e ensino.
Cônego e Pároco Emérito
Como reconhecimento por sua trajetória sacerdotal e pelos serviços prestados à Igreja, recebeu do arcebispo Dom Joviano de Lima Júnior o título de Cônego.
Em 6 de janeiro de 2008, tornou-se Pároco Emérito do Santuário do Senhor Bom Jesus da Cana Verde.
Encerrava-se oficialmente uma longa etapa administrativa, mas não a ligação construída durante décadas com Batatais.
Para muitas gerações, independentemente dos títulos que recebeu, continuaria sendo simplesmente Padre Eloy.
Batatais perde uma parte de sua história

FOTO MONTAGEM
A morte de Cônego Eloy Pupin encerra uma trajetória que acompanhou profundas transformações religiosas, urbanas e sociais de Batatais.
Sua vida começou no campo. Trabalhou em fazendas. Foi frentista, faxineiro e cobrador. Aos 29 anos decidiu entrar para o seminário. Aos 39 recebeu a ordenação sacerdotal.
Depois vieram as paróquias, a formação de seminaristas, as salas de aula e o retorno definitivo a Batatais.
Aqui, celebrou missas, batizou crianças, abençoou casamentos, acompanhou enfermos, consolou famílias e atravessou gerações. Criou e fortaleceu comunidades, incentivou pastorais, participou de iniciativas de moradia popular, colaborou com a Santa Casa, ajudou a criar um festival que se tornou tradição e deixou sua contribuição material também no próprio templo do Senhor Bom Jesus da Cana Verde, onde esteve à frente da importante obra de substituição do piso da Matriz, orçada em mais de R$ 110 mil na época.
Por isso, sua história não permanece apenas nos registros da Igreja.
Ela está nas comunidades que ajudou a formar, nas igrejas dos bairros, nas instituições das quais participou, nas salas onde ensinou e nas lembranças daqueles que, durante décadas, encontraram nele o sacerdote, o professor, o conselheiro ou simplesmente o Padre Eloy.
Cônego Eloy Pupin deixa uma história construída pelo sacerdócio, pelo ensino e pelo serviço à comunidade.
Batatais se despede de um de seus sacerdotes mais marcantes.
Morre o homem. Sua obra permanece na história de Batatais.
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Jornalista Luis Claret Ferreira
Exclusivo para o Batatais News






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