JUMIL - A saga da Família Moraes
- Editor BN

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Atualizado: há 22 horas
JUMIL: A trajetória de quatro irmãos que transformaram uma pequena oficina em referência da indústria agropecuária.

Os primeiros passos de uma história empreendedora
A história da JUMIL está diretamente ligada à iniciativa e ao espírito empreendedor dos irmãos Justino Dias de Moraes, Ermelindo Dias de Moraes, Moacyr Dias de Moraes e José Herval Dias de Moraes. Ainda na década de 1930, o primogênito Justino já demonstrava vocação empresarial ao fundar, em 1933, a empresa J. Moraes & A. Nori, em parceria com o concunhado Antônio Nori. O empreendimento atuava na manutenção de equipamentos elétricos e também no setor de serraria, especialidade do sócio.

Na época, Justino contava com o auxílio do irmão Ermelindo. Com o término da sociedade, em 1936, os dois fundaram a empresa Justino de Moraes & Irmão, instalada na Rua Sete de Setembro, nº 23, em Batatais. O negócio era voltado à manutenção de motores elétricos, transformadores, rádios e geladeiras. Naquele momento, Justino tinha apenas 26 anos e Ermelindo, 17.
Fundação da oficina e início das atividades industriais
Em 29 de fevereiro de 1936, a pequena oficina ganhou nova configuração com a entrada do irmão Moacyr, passando a chamar-se Justino de Moraes e Irmãos. A empresa ampliou os serviços de manutenção elétrica, realizando reparos em transformadores, motores, geradores de automóveis, além de niquelação e consertos de eletrodomésticos.
No início da década de 1940, já com a consolidação da sociedade familiar, os irmãos começaram a fabricar geradores de energia elétrica movidos por rodas d’água e aparelhos de gasogênio para veículos, em razão da escassez de combustíveis durante a Segunda Guerra Mundial. Ambos os produtos passaram a ser produzidos em linha industrial, contribuindo para o crescimento do empreendimento.
Pouco tempo depois, o quarto irmão, José Herval Dias de Moraes, passou a integrar o grupo, implantando uma pequena fundição de alumínio. A união dos quatro irmãos fortaleceu o propósito de expansão e organização do negócio.
Mudança de instalações e foco na mecanização agrícola
Com o aumento das atividades, a empresa transferiu suas instalações para a Ladeira Doutor Mesquita, onde passou a contar com oficina e loja. O período foi marcado pela ampliação da estrutura produtiva, contratação de novos funcionários e instalação de uma fundição de ferro.
Nos anos 1950, a empresa iniciou a produção de equipamentos agrícolas, tendo como primeiro produto industrial o moinho a martelos, também conhecido como desintegrador. A iniciativa marcou a entrada definitiva da organização no setor de mecanização agrícola, que se tornaria seu principal campo de atuação.
Além disso, foram incluídas na linha de produção atividades como a fabricação de transformadores elétricos para proteção contra descargas atmosféricas, chaves corta-circuitos e a comercialização de materiais correlatos.
Nascimento da marca JUMIL e consolidação empresarial
Em 1º de janeiro de 1949, a empresa foi reorganizada sob a denominação Justino de Moraes Irmãos e Companhia Limitada. Na ocasião, foi admitido como sócio o contador Tomás Rodrigues Arias, responsável pelo setor contábil. A nova razão social deu origem à sigla JUMIL, que passaria a identificar a marca da empresa.

No mesmo período, a organização decidiu concentrar esforços na fabricação de máquinas agrícolas, área que despontava com grande potencial de crescimento no Brasil. A primeira máquina produzida foi a Forrageira Simples Modelo 3, marco inicial de uma trajetória industrial voltada ao desenvolvimento do agronegócio.
Em 1956, a Prefeitura Municipal de Batatais concedeu à empresa o terreno onde passou a ser localizada a matriz, na Rua Ana Luíza. Em 1961, com a transformação em sociedade anônima, a JUMIL intensificou o lançamento de novos equipamentos, sobretudo a partir de 1962. Entre os produtos desenvolvidos destacam-se plantadeiras, picadeiras-enfileiradeiras modelo 3T, desintegradores, cultivadores, debulhadores de milho, esparramadores de calcário, colhedeiras forrageiras e semeadeiras-adubadeiras para culturas como trigo, soja, algodão e milho.
Inovação tecnológica e diversificação produtiva
A empresa consolidou uma cultura de inovação permanente, baseada em pesquisas de mercado junto a agricultores, pecuaristas e revendedores. Um exemplo de pioneirismo foi a criação de um dispositivo regulável para lançamento do adubo ao lado da semente, permitindo maior eficiência no plantio.
Paralelamente à linha agrícola, a JUMIL desenvolveu a fabricação de ferragens galvanizadas destinadas a redes elétricas de alta e baixa tensão. Com o aperfeiçoamento tecnológico, essa atividade tornou-se importante parcela do volume produtivo da organização.
Expansão internacional e modernização industrial
Seguindo a política nacional de incentivo ao desenvolvimento industrial, a empresa iniciou, em 1970, suas exportações para o Paraguai. A partir de 1972, ampliou gradativamente sua presença no mercado internacional, alcançando países como Bolívia, Equador, Guatemala, Honduras, República Dominicana, Uruguai, Venezuela, Angola e Moçambique, entre outros.
Em junho de 1976, sob assistência técnica da empresa inglesa, Ransomes Sims & Jeferries, a JUMIL passou a produzir arados fixos e reversíveis, além de lançar grades tandem e niveladoras. Para viabilizar esse avanço, foi necessária a expansão da unidade fabril, com a importação de máquinas automáticas de moldagem e carrosséis provenientes dos Estados Unidos, somadas à ampliação do setor de usinagem com equipamentos fornecidos por empresas brasileiras.
Outro avanço no lançamento dos equipamento para preparo do solo na década de 1970 foi motivado pelo contrato da JUMIL com a Ford Brasil, divisão de tratores, para o lançamento da Linha Blue Line direcionada à rede nacional de revendedores Ford Tratores. A JUMIL passou a fornecer toda a sua linha, pintada em azul, para esta finalidade.
A nova etapa industrial, com sistemas de usinagem e fundição totalmente mecanizados, entrou em funcionamento em abril de 1977. Já em sua primeira fase, a ampliação permitiu elevar significativamente a produção, possibilitando inclusive estudos para exportação de peças fundidas ao mercado norte-americano, graças aos padrões de qualidade e competitividade alcançados.
Geração de empregos e compromisso social
A expansão industrial teve como objetivo principal a geração de empregos e a qualificação da mão de obra, com investimentos internos e aproveitamento de trabalhadores já vinculados à empresa. A iniciativa contribuiu para o fortalecimento do setor industrial regional, beneficiando moradores da periferia urbana e também de municípios vizinhos.
O quadro funcional da JUMIL em 1977 era composto por 1.044 colaboradores, sendo 856 homens e 188 mulheres, distribuídos nas áreas administrativa, produtiva, técnica e comercial.
Reconhecimento nacional e legado empresarial
Em 18 de novembro de 1981, o fundador Justino Dias de Moraes recebeu a honraria Ordem de Mérito do Trabalho, concedida pelo então ministro do Trabalho, Murilo Macedo, durante o governo do presidente João Batista Figueiredo. A solenidade foi realizada no Ginásio de Esportes do Colégio São José, em Batatais, e marcou o reconhecimento oficial pelos relevantes serviços prestados ao desenvolvimento da agropecuária nacional. Justino foi o único cidadão batataense a receber tal distinção.

Ao longo de sua trajetória, a JUMIL consolidou-se como exemplo de iniciativa empresarial comprometida com o progresso industrial e agrícola do país. A direção da empresa sempre expressou confiança no desenvolvimento nacional, destacando a importância da cooperação entre governo, empresariado, colaboradores, clientes e fornecedores para a construção de uma história marcada pelo trabalho, inovação e crescimento.
Informações do Informativo Jumil, Ano V, nº 47 de 07/1978 e José Mario Moraes.
Fotos: José Mário Moraes






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