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Outubro não pode ser apenas o mês dos presentes para as crianças

Batatais News
há 2 dias
6 min de leitura

Batatais é desafiada a olhar para suas crianças durante todo o mês.


 

Dentro de pouco tempo, outubro chegará. Com ele, virão as vitrines coloridas, as propagandas, os brinquedos, as promoções e a corrida pelos presentes. No dia 12, mais uma vez, Batatais celebrará o Dia das Crianças. Haverá festas. Distribuição de brinquedos. Doces. Brincadeiras. Fotografias. Sorrisos.

 

Tudo isso é bonito. Tudo isso pode ser importante. Mas uma pergunta precisa permanecer depois que a festa acabar: o que acontece com as crianças quando o Dia das Crianças termina?

 

Um brinquedo pode produzir um sorriso. Mas não resolve a fome. Uma festa pode proporcionar algumas horas de alegria. Mas não protege uma criança da violência. Um presente pode marcar uma data. Mas não substitui o cuidado, a atenção, a segurança e o amor de que tantas crianças necessitam durante todos os dias do ano.

 

Por isso, o mês de outubro pode - e deve - significar mais para Batatais. Não apenas um período de comemoração. Mas um tempo de reflexão. E, principalmente, de ação.

 

AS CRIANÇAS QUE NÃO APARECEM NAS VITRINES

 

Quando se fala em Dia das Crianças, é natural pensar em presentes. Mas existe uma realidade que não costuma aparecer nas propagandas e nem sempre ganha espaço nas comemorações.

 

São as crianças que vivem em situação de vulnerabilidade.

 

As que enfrentam dificuldades dentro da própria família. As que convivem com a pobreza. As que sofrem violência e não conseguem contar a ninguém. As que precisam de apoio escolar. As que enfrentam a fome. As que passam grande parte do dia sozinhas. As que vivem em ambientes onde deveriam receber proteção, mas encontram medo.

 

Há crianças que cresceram depressa demais. Não porque escolheram crescer.

Mas porque a infância lhes foi roubada pelas circunstâncias. E essa realidade exige uma pergunta que Batatais não deveria evitar: quantas crianças vivem hoje em condições de risco dentro da nossa própria cidade?

 

Talvez não tenhamos uma resposta imediata. Mas não podemos permitir que a ausência de uma resposta se transforme em ausência de preocupação.

Muito menos em ausência de ação.

 

DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?


 

Existe uma tendência perigosa em nossa sociedade: sempre esperar que alguém faça alguma coisa.

  • Que seja a Prefeitura.

  • Que seja a assistência social.

  • Que seja a escola.

  • Que seja a polícia.

  • Que seja o Conselho Tutelar.

  • Que seja uma igreja.

  • Que seja uma entidade.

  • Que seja “alguém”.

  • Mas quem é esse alguém?

 

Cuidar das crianças não é responsabilidade exclusiva dos pais. É também responsabilidade dos avós, dos parentes, dos vizinhos e dos amigos. Dos professores. Dos profissionais da saúde. Das igrejas. Das entidades sociais. Dos empresários. Dos governantes. Da imprensa.

 

Em resumo: a proteção das crianças é responsabilidade de toda a sociedade. Uma cidade que deseja construir um futuro melhor precisa começar protegendo aqueles que ainda estão construindo o próprio presente. As crianças não escolhem a família em que nascem. Não escolhem as condições econômicas em que crescem. Não escolhem sofrer violência. Não escolhem ser abandonadas.

 

Por isso, os adultos precisam fazer escolhas por elas. Escolher proteger. Escolher ouvir. Escolher agir. Escolher não permanecer indiferentes.

 

O SILÊNCIO TAMBÉM MACHUCA

 

Há situações em que o silêncio deixa de ser prudência, e passa a ser omissão. O abuso e a violência contra crianças precisam ser denunciados, seja quem for que os pratique. Nenhum parentesco pode estar acima da proteção de uma criança. Nenhuma amizade. Nenhuma posição social. Nenhuma influência. Nenhuma aparência de respeitabilidade. Uma criança precisa ser protegida. Ponto final.

 

Muitas vezes, ela não consegue pedir socorro. Outras vezes, pede e não é levada a sério. Por isso, os adultos precisam aprender a ouvir, observar e perceber aquilo que, muitas vezes, não é dito claramente.

 

É preciso acreditar. É preciso investigar. E, quando necessário, é preciso acionar os canais responsáveis pela proteção.

 

Há uma reflexão dura, atribuída ao médico Jefferson Drezett, que deveria nos fazer pensar: “Se deixarmos de fazer o que precisamos para proteger a criança e o adolescente, que diferença teremos daqueles que as violentam?

 

A pergunta é incômoda. Deve ser. Porque a violência não encontra espaço apenas nas mãos de quem agride. Ela também cresce quando encontra a omissão de quem vê, suspeita ou sabe, mas decide não fazer nada.

 

Também permanece atual a conhecida frase atribuída a Edmund Burke: “A única coisa necessária para o triunfo do mal é que as pessoas de bem não façam nada.”

 

Talvez seja o momento de Batatais perguntar a si mesma: E nós? O que estamos fazendo?

 

UM DESAFIO PARA TODA A CIDADE

 

O Batatais News quer lançar um desafio à comunidade. Que outubro não seja apenas o mês de comprar presentes. Que seja o mês de fazer alguma coisa pelas crianças. De forma concreta.

 

Cada família pode assumir um compromisso. Cada empresa pode desenvolver uma iniciativa. Cada escola pode promover uma ação. Cada igreja pode mobilizar seus membros. Cada entidade pode mostrar suas necessidades. Cada profissional pode oferecer parte de seu conhecimento e de seu tempo.

 

Não é necessário começar com grandes projetos. Às vezes, uma pequena atitude muda profundamente a vida de uma criança.

  • Uma empresa pode apoiar uma instituição.

  • Uma família pode ajudar outra família.

  • Um professor pode incentivar uma criança que está ficando para trás.

  • Um profissional pode oferecer voluntariamente seus conhecimentos.

  • Uma igreja pode mobilizar uma campanha.

  • Uma escola pode identificar situações que necessitam de atenção.

  • Um cidadão pode denunciar uma violência.

  • Outro pode simplesmente decidir prestar mais atenção.

 

Parece pouco. Mas não é.

 

O DESAFIO TAMBÉM É PARA AS EMPRESAS E INSTITUIÇÕES

 

Batatais possui empresas fortes. Possui escolas. Possui igrejas. Possui entidades sociais. Possui clubes de serviço. Possui profissionais de todas as áreas. Possui pessoas dispostas a ajudar.


 

O que talvez esteja faltando não seja capacidade. Talvez esteja faltando mobilização.

 

Por que outubro não poderia ser o mês em que empresas locais adotassem projetos voltados às crianças? Por que não criar campanhas de arrecadação? Por que não apoiar atividades culturais, esportivas e educacionais? Por que não fortalecer as instituições que já realizam um trabalho silencioso e permanente? Por que não unir esforços?

 

É fácil aparecer em uma fotografia distribuindo presentes no dia 12. Muito mais importante é perguntar quem continuará ajudando no dia 13. E no dia 20. E em novembro. E durante todo o ano.

 

A solidariedade não pode depender apenas de uma data comemorativa.

 

O PODER PÚBLICO TAMBÉM PRECISA OUVIR

 

Este desafio também precisa chegar às autoridades. A proteção das crianças não pode existir apenas nos discursos oficiais, nas campanhas institucionais ou nas datas comemorativas. Crianças e adolescentes precisam de políticas públicas permanentes. Precisam de prevenção. Precisam de acompanhamento. Precisam de escolas preparadas. Precisam de atendimento adequado. Precisam de estruturas capazes de identificar e enfrentar situações de vulnerabilidade. E precisam, sobretudo, ser prioridade.

  • Não apenas quando uma tragédia acontece.

  • Não apenas quando um caso ganha repercussão.

  • Não apenas quando os holofotes estão acesos.

 

A sociedade tem o direito - e o dever - de cobrar. Porque recursos públicos, programas e estruturas existem para servir à população. E poucas causas deveriam ser mais importantes do que garantir que uma criança tenha o direito de crescer com dignidade e segurança.

 

OUTUBRO PODE SER O COMEÇO

 

No dia 12 de outubro, milhares de crianças receberão presentes. Que bom. Mas a criança que precisa de ajuda continuará precisando no dia seguinte. A criança que passa fome continuará precisando de alimento. A criança que sofre violência continuará precisando de proteção. A criança abandonada continuará precisando ser vista.

 

Por isso, outubro não deve ser apenas um mês de festas. Pode ser o começo de uma mobilização. O começo de uma nova consciência. O começo de compromissos que não terminem quando o calendário mudar.

 

Batatais não precisa esperar por um grande projeto para começar. Pode começar agora. Com pequenas atitudes. Com iniciativas simples. Com pessoas dispostas a sair da comodidade.

 

A pergunta não é se uma pessoa consegue resolver todos os problemas. Ninguém consegue. Mas todos podem fazer alguma coisa.

 

O DESAFIO ESTÁ LANÇADO

 

O desafio está lançado para Batatais. Para as famílias. Para os empresários. Para as escolas. Para as igrejas. Para as entidades. Para os profissionais. Para as autoridades. E para cada cidadão.


 

O que você fará pelas crianças durante o mês de outubro? Não apenas no dia 12. Durante todo o mês.

 

E, mais importante ainda: o que continuará fazendo quando outubro terminar?

Talvez seja impossível mudar a realidade de todas as crianças. Mas é possível mudar a realidade de uma. E uma criança nunca é apenas uma. Para ela, a mudança pode representar tudo.

 

Presentes são importantes. A alegria também. Mas nenhuma festa será maior do que a construção de uma cidade onde as crianças sejam protegidas, respeitadas, ouvidas e amadas.

 

Batatais pode fazer mais. E precisa fazer mais. Porque as crianças não precisam de nós apenas no Dia das Crianças. Precisam de nós todos os dias.

 

Outubro está chegando. Que ele não seja apenas o mês dos presentes para as crianças. Que seja o mês em que Batatais decidiu agir.

 

O desafio está lançado. E nossas crianças não podem esperar.


 

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